Zanzibar, o caribe africano

Kendwa.

Zanzibar, de plácidas e mornas águas azul-turquesa, é o caribe da África. O arquipélago, que pertence à Tanzânia, possui grande influência árabe, fruto do intenso comércio com o Oriente entre os séculos XII e XV. Legado que se observa nos traços arquitetônicos e vestimentas da população local. Homens usando togas e mulheres com burcas. O islamismo é a religião predominante em Zanzibar.

É interessante ouvir no meio da tarde e na madrugada, às 4 h da manhã, o som que vem das mesquitas conclamando a população a rezar. Hospedar-se dois dias em Stone Town – a Cidade de Pedra, coração de Zanzibar, é o ideal para experienciar um pouco o viver local. Comer churrasco de frutos do mar à noite nas barraquinhas dos Gardens, perambular pelos becos e perder-se nos labirintos de Stone Town.

Stone Town.

O centro da Cidade de Pedra é um verdadeiro labirinto. Impossível não se perder. Mas isso não é motivo de preocupação, sempre se encontra alguém disposto a lhe ajudar e com satisfação no olhar. O povo Swahili do arquipélago de Zanzibar é muito amável. Sempre o cumprimentam com as simpáticas saudações na língua local: “mambo”, “habari yako?”, que significam “oi”, “como está você?”.

Programa imperdível é andar de dalla-dalla, o transporte local que cobre toda a ilha. Dalla-dalla é uma kombi cuja carroceria foi adaptada em assentos para passageiros. É bem apertado  lá dentro, mas obrigatório para quem gosta de interagir com os locais.

Figura ilustre de Zanzibar é o cantor Freddie Mercury, que nasceu, em 1946, em Stone Town, onde viveu até os 8 anos, quando se mudou para estudar na Índia. Há um restaurante com seu nome na orla da Cidade de Pedra. Vale passar a tarde ali relaxando, apreciando o porto, tomando uma cervejinha. Bebidas alcoólicas são vendidas somente em restaurantes e bares turísticos. Os lugares frequentados por locais vendem refrigerantes e sucos. O consumo de bebida alcoólica é proibido no mundo mulçumano.

Com base nos relatos deste blog, pode parecer que minha busca espiritual acabou. Não é verdade. Minha busca por autoconhecimento e espiritualidade continua. Cada pessoa que encontro nesta viagem, que diz algo importante para a minha vida, interpreto como uma mensagem dos Céus. Um ensinamento para me aprimorar como ser humano, encarar e aceitar meus defeitos, com a intenção de promover a almejada transformação e encontrar a verdadeira felicidade. E nessa busca, estou sempre aberta a conversar com as pessoas. Para mim, cada pessoa é um potencial mensageiro divino. Acredito nisso. Deus conversa conosco através das pessoas. Se você está aberto para isso, a conexão acontece. Você percebe que não está sozinho no mundo, e sim envolto numa corrente positiva, transcendente.

Em virtude da minha busca, conversas sobre sentimentos de religiosidade e fé tornaram-se assuntos de interesse neste momento. Enquanto esperava a emissão do meu bilhete para o Kilimanjaro, um africano-mulçumano, vestido com toga branca, puxou conversa comigo. Ele já esteve no Rio de Janeiro e comentou que os cariocas não costumavam ir à igreja. Eu disse que também não tinha este hábito, mas, hoje, após o Caminho de Santiago, algo mudou dentro de mim, eu comecei a rezar. Quanto à religião, falei-lhe que não seguia uma em específico. Simpatizava e comungava com um pouco de cada religião, sob um determinado aspecto. Ele me perguntou quantas vezes eu rezava por dia, eu disse uma vez. “Por quê?”, perguntou surpreso. “Ué?!… porque sim…”, disse sem respostas. Ele me disse que rezava cinco vezes ao dia, durante, pelo menos, cinco minutos.  “Por quê?”, perguntei. Ele respondeu: “Por que não?! É rápido e fácil. Quando você reza, as respostas para seus anseios vêm à sua mente. Quanto mais vezes rezar, mais você entrará na sintonia divina. Deus conversará com você através da sua mente. Deus lhe dará a resposta”. Não podemos continuar a conversa. A agente de viagem terminou de expedir seu bilhete e ele partiu. Deixou-me com a sua mensagem: Por que não rezar?

Sou refratária ao fundamentalismo islâmico, mas desta conversa extraí a mensagem de que estou no caminho certo quanto à prece. Desde que comecei a rezar, mentalizar, percebi o poder da prece. Tudo o que peço, com o coração, acontece. Se for um pedido genuíno, ele é atendido. Eu acredito que ação com oração (que possui na sua raiz a palavra “ação”, oração = orar + ação), pensamentos positivos são capazes de transformar a realidade. Algumas novas teorias atribuem isto ao poder da mente. Pretendo ler e aprofundar-me mais sobre este tema. Neste momento, só quis fazer um parêntese, para compartilhar com meus amigos e leitores deste blog o pano de fundo desta viagem.

Dalla-dalla.

Voltando ao assunto deste post: o paraíso africano! 🙂 Nas duas semanas que estive aqui, fiquei na praia Kendwa de extensas areias brancas ao norte da ilha. Fiquei hospedada em Kendwa Rocks, um mini resort para mochileiros. Excelente custo-benefício. A praia é privativa e os preços acessíveis, democráticos. E, o melhor (!), repleto de mochileiros solitários de todas as partes do mundo (Alemanha, Espanha, Argentina, EUA, Índia etc.), o que lhe propicia conhecer gente e fazer novas amizades.

Há muitas atividades para se fazer. Pode-se tanto não fazer nada e passar o dia inteiro espreguiçando-se na praia (o que já é um programão), ou jogar volleyball, praticar snorkeling, mergulho. Nas minhas semanas neste caribe africano, eu optei por não fazer nada! Um brinde ao ócio!

Um dia eu fiz snorkeling nos corais do atol Mnemba (quanto esforço! risos). O passeio de barco à vela até o atol já vale. O visual da costa é belíssimo. Quanto ao snorkeling, não se compara a rica fauna marinha de Fernando de Noronha, mas é possível apreciar múltiplos peixinhos coloridos.

Asia, recepcionista simpática do Kendwa Rocks.

Na praia Kendwa, quase todas as noites há festa. As mais badaladas são as full moon parties (festas de lua cheia). Para a minha sorte, aconteceu uma full moon party na minha temporada em Zanzibar. Cheia de gente e muito animada. O melhor foi encontrar minhas raízes aqui na África. Os africanos de Zanzibar são dançarinos muito performáticos. Adoram gesticular com as mãos. Inventar coreografias. Dançam livremente e até o chão. Parece a Bahia. São muito sensuais. Eu adorei dançar com eles! Senti-me em casa. Se eu estava procurando minhas raízes, acho que encontrei uma parte dela! (risos) Meus amigos, que me conhecem bem, sabem que eu adoro dançar com as mãos e me espalhar pelo salão, quase fazendo uma performance! 🙂 A-D-O-R-E-I !!

O melhor da mini temporada no Kendwa Rocks foi deixar de ser turista e me sentir um pouco nativa. Após a primeira semana já conhecia todo mundo, estava mais integrada com os locais e aprendendo Swahili. Muito bom. Para mim, esta é a melhor parte de uma viagem: mergulhar na cultura da terra.

Um fato interessante que percebi é o orgulho estampado no peito dos africanos de Zanzibar: a foto de Barack Obama. Em broches, camisetas, pôsteres, vê-se a foto de Obama. “The first president African American”, uma frase estimada pelo africano Swahili.

Poderia passar uma longa temporada em Zanzibar, começar meu livro sobre o Caminho de Santiago. Zanzibar é o lugar perfeito para escrever um livro: sossegado, com praias belíssimas para lhe inspirar, povo amável, full moon parties (!!!), mas a Copa do Mundo me chama. Não dá para não participar desta linda festa! Não sou tão ermitã assim… ;-).

Antes, quero subir o Monte Kilimanjaro e depois voar para a África do Sul!

Dá-lhe Brasil na cabeça!!!

Stone Town.

Yes! We can!

Stone Town.

Onde ficar: http://www.kendwarocks.com

Como ir de avião:

www.precisionairtz.com

http://www.coastal.cc

www.zanair.com

http://www.1time.aero

http://www.airtanzania.com

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