Kilimanjaro: Brasil no topo da África!

Seis dias de caminhada pesada até o topo da África. O visual e a sensação de estar sobre as nuvens compensa todo o esforço. O Monte Kilimanjaro, formado por três picos – Uhuru, Mawenzi e Shira, é o ponto culminante do continente africano, sendo Uhuru seu ponto mais alto com 5.895 metros.

A porta de entrada ao Kilimanjaro é Moshi, na Tanzânia. Cidade de pequeno porte, porém servida com o aeroporto internacional. Outra opção é chegar por estrada por Arusha, cidade de médio porte e há 1 hora e meia de Moshi.

O trekking até o topo do Kilimanjaro é uma excelente pedida tanto para trekkers que curtem uma boa caminhada como para montanhistas que querem se iniciar em desbravar elevadas altitudes. A caminhada não requer conhecimentos técnicos de escalada em rocha ou gelo. É preciso sim um bom condicionamento físico, muita determinação e pensamento positivo.

Pico Uhuru.

Há 2 trilhas principais até o Pico Uhuru: rotas Marangu e Machame. A menos pesada, que exige menos fisicamente, é a rota Marangu – apelidada de trilha Coca-Cola, por ser leve. A rota Marangu, no entanto, não é considerada boa para aclimatação, pois atingem-se elevadas altitudes rapidamente, em 4 dias. A rota Machame é mais pesada, sendo, por esta característica chamada de trilha Whisky.

Embora mais árdua, a rota Machame é recomendada pelas maiores chances de se conseguir uma aclimatação adequada e, por conseguinte, uma expedição bem-sucedida com o alcance do cume.

Segundo os guias locais, cerca de 85% dos turistas que optam pela rota Machame atingem o cume, enquanto que na rota Marangu apenas 65%. Os demais são acometidos pelo mal de altitude e obrigados a descer.

Os principais sintomas do mal de altitude são dor de cabeça constante, perda de apetite, náuseas, vômitos, vertigens, dificuldade respiratória, insônia. É importante destacar esse ponto, pois embora o trekking ao topo do Kilimanjaro seja acessível para turistas sem experiência em montanhismo, sem conhecimento de escalada, pode ser fatal em virtude da elevada altitude. Em casos extremos, o mal de altitude pode ocasionar edemas pulmonar e cerebral.

Os primeiros sintomas do mal da montanha surgem a partir do 3.500 metros. A recomendação do guia é manter o corpo bem hidratado para conseguir uma boa aclimatação e evitar a doença. O ideal é beber de 5 a 6 litros de água por dia. Se os sintomas não desaparecerem, o procedimento para recuperar o equilíbrio corporal e conseguir aclimatar-se é descer alguns metros. Se, ainda assim, os sintomas persistirem, deve-se descer imediatamente e abandonar a excursão.

A rota Machame oferece maiores chances de aclimatação. São 5 dias para atacar o cume – 1 dia a mais do que a rota Marangu – e o percurso é ascendente e descendente – o que é melhor para aclimatação, enquanto a rota Marangu é sempre ascendente. Além disso, a rota Machame é considerada mais bonita, cinematográfica, por contornar a montanha do que a rota Marangu que sobe direto por uma das cristas da montanha.

Eu optei pela rota Machame. O primeiro dia inicia-se em 1.800 metros de Machame Gate e sobe-se até Machame Camp a 3.000 metros. O segundo dia, sobe-se até 3.820 metros em Shira Camp. O terceiro dia, sai-se de 3.820 metros, sobe-se até 4.600 metros em Lava Tower e depois desce-se a 3.972 metros em Barranco Camp. Este é considerado o melhor dia para propiciar uma boa aclimatação, pois o corpo é levado à altitude superior (4.600 metros) e depois inferior (3.972 metros), o que amplia a possibilidade de adaptação. O quarto dia, também por um trajeto de subidas e descidas, chega-se, por volta das 16hs, ao campo-base Barafu Camp, a 4.660 metros.

Último acampamento Barafu Camp, a 4.660 metros, antes do ataque ao cume.

À meia-noite, já quinto dia, inicia-se a caminhada rumo ao cume. A passada é lenta, “pole pole” (que significa “devagar, devagar” na língua swahili) e constante. Não se pode parar por um longo tempo, senão o corpo congela. Apenas pequenos descansos de 1 a 2 minutos. A temperatura gira em torno de 7 graus negativos no sopé do Pico Uhuru. São cerca de 5 a 6 horas caminhando, por uma encosta íngreme, até chegar a Stella Point, início do platô. O ideal é chegar em Stella Point no nascer do sol, entre 5:40 e 6 h, para apreciar o espetáculo da natureza. Mais 40 minutos de caminhada sobre o platô e atinge-se o topo da África!

Eu e o guia iniciamos o trekking de ataque ao cume às 23:30 h, trinta minutos antes do horário usual de saída. A caminhada começou prazerosa. Céu estrelado. Noite de lua cheia. Uma suave brisa acariciava o meu rosto. Uma gostosa sensação de caminhar entre as estrelas, com a lua do seu lado, bem pertinho de você. Um indescritível prazer de caminhar no céu… Passadas algumas horas, o frio tornou-se congelante, o vento cortante. O corpo começou a dar os primeiros sinais de cansaço. Um embrulho no estômago… mas eu não podia parar. Depois 5 dias de caminhada pesada, há apenas poucas horas do meu objetivo, eu não podia desistir…

Nessas horas, pensamento positivo, determinação e palavras incentivadoras do guia são fundamentais. Continuei. Pole pole… As pequenas paradas para descanso se intensificaram. Precisava recarregar as energias, recuperar o fôlego e seguir. Chegamos às 4:40 h em Stella Point, antes do nascer do sol. Só eu e o guia ali imersos na escuridão. Um vento cortante, de congelar os dedos… Fazia em torno de 15 graus negativos. Continuamos. Não esperamos o sol despontar no horizonte. O frio não permitia parar. Senão, congelaríamos.

Chegamos em Uhuru, o ponto culminante a 5.895 metros, às 5:35 h, ainda era noite. Fui a primeira a atingir o cume. O auge deste esperado momento foi tirar a bandeira do Brasil da mochila e fazer a foto da conquista! Não foi nada fácil chegar lá em cima. Sim, para mim, foi um grande feito!

Infelizmente, o frio estava congelando os meus dedos, o sol ainda não havia nascido. Não pude contemplar a beleza dos glaciares sem pressa, até meus olhos se extasiarem com o esplendor da natureza. Tamanho o frio que perdi a sensibilidade de alguns dedos. Eu precisava descer urgente, para esquentar a ponta dos meus dedos da mão e o dedão do pé.

Embora não tenha curtido o cume como eu gosto, valeu a pena. Minha dica é não sair antes da meia-noite, para chegar lá sob o calor do sol e desfrutar do belo visual e merecidíssimo momento!!

Após o cume, desce-se de 5.895 metros até Mweka Camp, a 3.100 metros. São mais cerca de 6 horas de caminhada. O quinto dia é o mais extenuante. Caminha-se da meia-noite até o meio-dia. O sexto dia é mais leve, em torno de 5 h, chega-se a Mweka Gate, a 1.660 metros.

Normalmente, as operadoras locais oferecem pacotes de 6 e 7 dias para a rota Machame e 5 dias para a rota Marangu. Eu fiz Machame em 6 dias, mas recomendo 7 dias. É menos puxado. E mais contemplação.

Quem dispuser de mais uns dias, imperdível fazer safári na área de conservação ambiental Ngorongoro, nos parques nacionais Lake Manyara e Serengeti, e visitar a tribo Maasai Olpopongi, para conhecer um pouco da cultura tradicional.

Quando ir: de junho a setembro.

Quem leva:

http://www.ahsantetours.com

http://www.zaratours.com

De avião:

Precision air www.precisionairtz.com

Coastal Aviation www.coastal.cc

Air Tanzania www.airtanzania.com

KLM www.klm.com

Zanair www.zanair.com

Quanto custa: 1.200 dólares.

O que levar:

• mochila de 50 L e capa de chuva para mochila

• filtro solar, boné e óculos de sol

• blusa e calça segunda pele

• casaco fleece

• 3 camisas de tecido respirável

• 2 calças respiráveis

• casaco e calças impermeáveis

• 3 pares de luva

• 4 pares de meias

• gorro e balaclava

• bota de caminhada resistente à água

• bastões de caminhada

• máquina fotográfica e baterias extras

Nota: Quanto ao saco de dormir e jaqueta próprios para extremas temperaturas, é possível alugar junto à operadora de turismo.

Acampamento Shira.

Visual do cume do Kilimanjaro, descendo depois da conquista.

Glaciares. Visual do cume antes do nascer do sol.

I

Eu, Glória, 35 anos.

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