Dharamkot, McLeod Ganj, norte da Índia

Um mês em Dharamkot, último bairro de McLeod Ganj, nas encostas de verdejantes montanhas do Himalaia.

Paraíso para quem quer um pouco de solitude e introspecção.

McLeod Ganj é distrito de Dharamsala, refúgio de Dalai Lama no norte da Índia.

A primeira semana foi aclimatação ao lugar. Levei uns quatro dias para realmente chegar. Ainda estava me sentindo em trânsito, em algum lugar no mundo, mas não exatamente lá, onde estava fisicamente. Viagem é sempre muito intenso. São tantas novas realidades, descobertas, que dois dias parecem um mês. Desde que parti do Butão, no espaço temporal de uma semana passei por Kathmandu, Varanasi e Amritsar. Grandes distâncias e diversidade de culturas. Imersão ao budismo, hinduísmo e religião Sikki. Várias e diferentes pessoas. Peculiares experiências.

Numa longa viagem, há momentos em que você quer estar em movimento e outros em que você quer parar e aprofundar num lugar. Vivenciar por dentro a cultura, viver como um local e conhecer de perto as pessoas, a realidade local. Os dois momentos possuem o seu prazer, o seu encantamento. São complementares. Um dá significância ao outro.

Em Dharamkot, já estava cansada de perambular, de encontrar outros viajantes rapidamente e superficialmente. Já estava com preguiça de responder as perguntas básicas de sempre: “Oi, como você está? de onde você é? está viajando sozinha? quanto tempo? onde já foi? qual é o seu próximo destino?”. Permanecer só um ou dois dias num lugar, o diálogo não avança muito.

Chegar em Dharamkot foi como chegar ao oásis, a quietude e o frescor das montanhas, após o calor, o agito, o barulho de cidades de Varanasi e Amritsar. De fato, as buzinas do rickshaw já estavam me enlouquecendo (risos). Em McLeod Ganj, as buzinas também soam alto por lá, mas apenas quinze minutos de caminhada subindo as colinas e chega-se à pacata Dharamkot, com guest houses no meio do verde.

Há milhares de tratamentos espirituais para se fazer em Dharamkot: ayuvérdica, reiki, yoga, meditação etc.

Os ensinamentos do Osho e meditação foram, sem dúvida, um grande encontro na minha vida. Osho baseou sua filosofia e técnicas de meditação nos ensinamentos de Buda. Simplificadamente, podemos dizer que Osho (1931 a 1990) atualizou estes ensinamentos da época de Buda (563 a.C.) para o homem moderno. Vim a Dharamsala para aprofundar meu conhecimento sobre os ensinamentos de Buda, conhecer suas raízes.

Não tentei outros tratamentos como ayuvérdica e reiki. Numa jornada espiritual, conforme é uma viagem longa à Índia, onde há milhares de possibilidades, não é bom experimentar várias coisas, para não se confundir. Meu conselho é ao encontrar algo que é a sua verdade, em que se identifica, vá fundo. Depois se não for aquilo, tente outro caminho. O importante não é o fim, mas a jornada.

Nos dia 28 a 29 de junho, tive a sorte e a benção de participar do “teaching” de Dalai Lama no monastério Namgyal, em McLeod Ganj. O discurso foi em tibetano. Perde-se bastante na tradução simultânea para o inglês. Mas a essência da mensagem do budismo foi apreendida: “emptiness“, que significa “não-ego”,  a dissolução do “eu”. “Emptiness é “não-mente”, “não-corpo”, “não-eu”. O “eu” sem o “outro” é uma ilusão. Só existimos em comunhão com o todo.

Atingir o estado de emptiness (a liberação do ego, o estado de mente clara e estável, a verdadeira consciência), é atingir o nirvana ou, na tradição budista tibetana, a iluminação. Há 2 tradições budistas: Theravada e Mahayana.

Na Theravada, o objetivo é o nirvana, a liberação do ego com reflexos somente para o indivíduo. Nesta tradição, atingido o nirvana, o indivíduo liberta-se do ciclo da nascimento e morte. Na tradição Mahayana, seguida pelo budismo tibetano, o objetivo é a iluminação do indivíduo, mas com reflexos para toda a humanidade. O iluminado nasce novamente (reencarna) para ensinar o caminho da iluminação aos outros seres humanos, que ainda vivem na ilusão do ego, do “eu”.

Meditar é o meio para libertar-se dos condicionamentos sociais, que nublam nossa visão da verdade da existência, e alcançar a iluminação. Meditar é limpar a mente dos lixos criados pelo ego, pela ilusão do “eu”, e atingir o estado verdadeiro de consciência, livre dos venenos da ignorância, raiva, ódio, inveja, orgulho. O coração é o espelho da mente. O estado de verdadeira consciência significa um coração generoso, sem apegos, que abraça tudo e todos com amor, compaixão e sabedoria.

O homem meditador está no presente. Vive o aqui e o agora. Consciente dos fatos que marcaram sua história, consciente da ilusão do “ego”, vive a verdade da existência. Está em comunhão com o todo e percebe a vida como um presente, uma dádiva.

A existência tudo nos dá. Igual ao respirar. Não fazemos nenhum esforço para alcançar o ar. Ele está aí à disposição, nos é dado. O respirar é  espontâneo. O homem meditador não é passivo. É alerta. Alerta para receber. Mas não tenta controlar. Ele vive no fluxo do universo. Surfa na vida. Conectado com o seu centro, com o coração, o homem meditador percebe as dádivas da existência e as vivencia.

Nestes trinta dias em Dharamkot, experimentei Iyengar Yoga (5 dias de curso intensivo) e fiz o curso de introdução ao budismo no centro de meditação Tushita (10 dias). Os dois valeram muito a pena, complementação ao novo mundo que se descortinou para mim no centro de meditação do Osho em Puna. Yoga é uma etapa anterior à meditação, uma preparação para a mente agitada acalmar-se e entrar em estado meditativo.

Foi ótima a temporada em Dharamkot, além da intensa atividade, teachings do Dalai Lama, Iyengar yoga, introdução ao budismo, conheci grandes pessoas, Anna, da Polônia, Zoli, da Yoguslávia, Kailash, de Singapura, Andy, de Londres, Bernadete, da Suíça, e Agnes, da Polônia. Reencontrei Bodhi, grande pessoa, indiano, nos conhecemos no Osho em Puna.

Meu lugar favorito, que se tornou cativo, é o bar-restaurante Cool Talk Corner, na parte de cima de Dharamkot. A comida saborosa e caseira. O atendimento familiar. O ambiente aconchegante, perfeito para encontrar os amigos e conversar. Bons momentos regados à masala tea, chá com leite e condimentos picantes.

De quebra, uma cachoeira a duas horas de caminhada pela mata e uma noite nas montanhas em Triund, a 2.800 metros, 3 horas de subida a partir de Dharamkot.

Saudades de Dharamkot… Foi perfeito. Grande lugar. Pessoas especiais. Novos amigos.

Onde fazer yoga: http://www.hiyogacentre.com

Curso de budismo: http://www.tushita.info

Onde comer: Cool Talk Corner

Triund a 2.800 metros.

Bernadete, Anna e Andy.

Eu e Andy.

Triund.

Indo para cachoeira.

Feliz depois do mergulho nas águas do Himalaia.

Rindo à toa depois do revigorante mergulho! Cachoeira à direita.

Tushita, templo budista.

Colinas de Dharamkot.

Cool Talk Corner.

Cool Talk Corner.

Anna.

Andy, eu, Bernadete e Anna.

McLeod Ganj.

McLeod Ganj.

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