Ser Eu Mesma

Faz quase 10 anos que iniciei minha jornada de autoconhecimento, da busca da Verdade, da busca se Deus existe. Encontrei as respostas para as minhas angústias e questionamentos existenciais. A força do Bem, ou como prefiram denominar esta energia positiva bem intencionada do Universo, existe! A Sinceridade do nosso Pensamento Positivo! Reflexo do Coração!

No Caminho de Santiago de Compostela entre 21 de setembro e 30 de outubro de 2009, em um momento de exaustão das minhas forças físicas e psíquicas, fui protegida e levada pelas mãos dos anjos protetores invisíveis até um casal de “hospitaleiros” que trabalhavam voluntariamente no albergue Gaucelmo no vilarejo Rabanal del Camino, que me acolheram com todo amor. Ali, senti a presença da mão da energia divina. Revitalizei! E continuei minha jornada ao encontro comigo mesma.

No Caminho de Santiago, repassou o filme da minha vida, até os meus 35 anos. Encontros significativos com pessoas que me permitiram enxergar a mim mesma. Meus espelhos femininos. Da minha menina-mulher interior. Em M., suíça de 19 anos, vi a minha garota destemida e independente. Em Y., sul-coreana de 21 anos, meu jeito livre, viajante libertário. E o meu espelho afetivo das minhas dificuldades com o universo masculino. M., americano de 42 anos, de olhos brilhantes, alma de menino, lindo, moreno, charmoso, atraente, doce, mas com gênio tempestuoso de um leão. Embora tenha sido amor à primeira vista, estava arredia em razão de experiências pretéritas negativas. “Será mais um a questionar o meu jeito de ser, o meu espírito livre, independente, viajante, aventureiro?…”, pensei com os meus botões em seu primeiro galanteio. “Minha casa é sua casa”, disse M. para mim se oferecendo para carregar em sua mochila meus pertences pessoais. Agradeci e disse não. Queria sentir-me livre. Estava pensando em viajar o mundo, não queria que um homem atrapalhasse meus planos, jogando-me para baixo, desestimulando-me de realizar o meu sonho. Além disso, era um momento meu… de auto-reflexão. Queria estar sozinha.

O encontro com M. me desvelou a minha dificuldade inconsciente de entrega afetiva. O medo de amar. Fruto de crenças. Experiências negativas. Medo de sofrer. Autossabotagem. Como se eu não fosse merecedora.

O encontro com M., meu homem-espelho idealizado, me revirou do avesso. Fez emergir à tona o meu inconsciente. Tocou minha menina-moça adormecida, o sentimento mais tenro escondido lá no recôndito da minha alma. Até então não havia percebido este comportamento de autossabotagem, de não-entrega afetiva, de autossuficiência. Fruto de uma mistura de vozes, sentimentos, memórias, crenças e história de vida.

No processo de formação de nossa identidade, na construção na relação eu-outro, no olhar do outro sobre você, projeções, experiências, criamos camadas, personas, nos tornamos atores representando papéis. Muitas vezes nos tornamos prisioneiros emocionais. Condicionamentos familiares, sociais, culturais internalizados. Crenças alimentadas ao longo de uma vida. Papéis que nos distanciam de quem somos, lá no fundo da nossa essência.

Esta carta do Osho Zen Tarot mostra uma pequena flor silvestre que enfrentou o desafio das rochas e pedras em seus caminhos, para emergir à luz do dia. Rodeada por uma aura de luz dourada brilhante, ela expõe a majestade de seu singelo e luminoso Ser. Coragem para enfrentar os desafios da vida e crescer. Coragem para se transformar na flor que você está destinada a Ser.

 

Uma jornada de autoconhecimento é a busca pelo nosso Ser. Retirar as camadas. Libertar-se das vozes interiores condicionadas. É tomar consciência das crenças e condicionamentos introjetados, inconscientemente, que marcam nossa trajetória, moldando nosso ego, nossa persona.

Minha jornada foi longa. Em 2009, quarenta dias caminhando, refletindo e tendo insights nos caminhos de Compostela na Espanha. Em 2010, dez meses na África, o primeiro distanciamento mais longo da minha vida do Brasil, totalmente livre dos papéis atuados até então. Na África do Sul, adotei meu segundo nome, virei Glória, um primeiro contato comigo mesma do lugar de fora, de observador. Num país estrangeiro. Numa língua estrangeira. Em 2011, três meses na Índia meditando. Lá encontrei a Lila. Para ela, a vida é uma grande brincadeira. Ela brinca nos papéis da vida. A vida não é tão séria como parece. O nome espiritual simboliza uma libertação dos condicionamentos, crenças e aprisionamentos emocionais da persona, do ego.

Renasci! Desvelando, tomando consciência da minha essência. Liberta dos condicionamentos, crenças, dos emaranhados que me enredaram até então, para Ser Eu Mesma aqui e agora, inteira e total. A partir dos meus 44 anos. Nunca é tarde para ser você mesma!!

E se (Re)Fazer!!

Respirar!!

Viver!!

Ser!!

3 comentários em “Ser Eu Mesma

  1. Esse descobrimento nos remete para um universo, onde pensamos nunca alcançar.
    São momentos únicos que abraçamos e reverenciamos.
    Dentro de cada um existe um turbilhão de desencontros.
    O caminho a seguir é como você colocou muito bem.
    O seu “eu” como uma alquimia, transformando em conhecimentos e maturidade.

    • Oi Paulo! Obrigada pelas gentis palavras. A busca é uma constante dos seres humanos. Quando temos oportunidade de ir fundo no nosso “eu”, é uma benção divina. Tive essa oportunidade nas minhas andanças. Estou feliz e plena 🤗

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: