Leh, Ladakh, Himalaia, norte da Índia

Emociante chegar em Ladakh sobrevoando a Cordilheira do Himalaia no norte da Índia. Um mar de montanhas desérticas mesclados com picos nevados.

Completa mudança de cenário de Dharamkot, com sua verdejante floresta e umidade no ar. Em Leh, a paisagem é árida e clima desértico.

Foram dois dias de viagem de Dharamkot até Leh. Fui de carro até Jammu, 3 horas de viagem. Depois do sossego em Dharamkot, a experiência em Jammu foi como voltar à Índia que conhecemos. Centenas de pessoas na rua, tráfego intenso, buzinas de rickshaw. Pernoitei lá. Na manhã seguinte, cedinho, voei para Leh no Himalaia e cheguei ao paraíso.

Adoro a solitude das altas altitudes. Paisagem deslumbrante. Imensidão. Silêncio. Leh, a 3.500 metros, é um vilarejo com ares cosmopolitas. Um paraíso para trekkers e aventureiros. Trekking de 4 a 21 dias são oferecidos pelas agências locais, rafting, jeep tour, além de turismo cultural e religioso.

Leh assim como McLeod Ganj é destino dos refugiados do Tibet. É a segunda casa de Dalai Lama. Há vários templos budistas na região abertos à visitação. Budistas (a maioria da população) e mulçumanos convivem harmoniosamente na pacata Leh. Interessante acordar de manhã com os monges entoando os mantras e, no meio da tarde, ouvir o som que vem da mesquita chamando os mulçumanos a rezar para Alá.

O palácio de Leh, na colina que delimita o vilarejo, e a estupa Shanti, no topo de outro monte a 3 Km do centro, dão o encanto especial ao lugar.

Suba até o palácio de Leh e a estupa Shanti caminhando. Curta a experiência de sentir o efeito combinado do ar rarefeito de alta altitude, calor e ar seco. Passo a passo, devagarinho, chega-se lá. Reserve duas tardes inteiras para curtir estes lugares e apreciar o visual.

Quando ir: agosto e setembro (verão). Nos outros meses, a temperatura chega a 30 graus abaixo de zero. A estrada e o aeroporto são eventualmente fechados pela quantidade de neve.

Onde ficar: há vários hotéis e pousadas no centrinho de Leh. É só dar uma volta e pernoitar no que mais lhe agrada quanto ao preço e conforto.

Estupa Shanti.

Tsemo Gompa.

Palácio de Leh na colina.

Templo budista e mesquita mulçumana.

Mesquita.

Dharamkot, McLeod Ganj, norte da Índia

Um mês em Dharamkot, último bairro de McLeod Ganj, nas encostas de verdejantes montanhas do Himalaia.

Paraíso para quem quer um pouco de solitude e introspecção.

McLeod Ganj é distrito de Dharamsala, refúgio de Dalai Lama no norte da Índia.

A primeira semana foi aclimatação ao lugar. Levei uns quatro dias para realmente chegar. Ainda estava me sentindo em trânsito, em algum lugar no mundo, mas não exatamente lá, onde estava fisicamente. Viagem é sempre muito intenso. São tantas novas realidades, descobertas, que dois dias parecem um mês. Desde que parti do Butão, no espaço temporal de uma semana passei por Kathmandu, Varanasi e Amritsar. Grandes distâncias e diversidade de culturas. Imersão ao budismo, hinduísmo e religião Sikki. Várias e diferentes pessoas. Peculiares experiências.

Numa longa viagem, há momentos em que você quer estar em movimento e outros em que você quer parar e aprofundar num lugar. Vivenciar por dentro a cultura, viver como um local e conhecer de perto as pessoas, a realidade local. Os dois momentos possuem o seu prazer, o seu encantamento. São complementares. Um dá significância ao outro.

Em Dharamkot, já estava cansada de perambular, de encontrar outros viajantes rapidamente e superficialmente. Já estava com preguiça de responder as perguntas básicas de sempre: “Oi, como você está? de onde você é? está viajando sozinha? quanto tempo? onde já foi? qual é o seu próximo destino?”. Permanecer só um ou dois dias num lugar, o diálogo não avança muito.

Chegar em Dharamkot foi como chegar ao oásis, a quietude e o frescor das montanhas, após o calor, o agito, o barulho de cidades de Varanasi e Amritsar. De fato, as buzinas do rickshaw já estavam me enlouquecendo (risos). Em McLeod Ganj, as buzinas também soam alto por lá, mas apenas quinze minutos de caminhada subindo as colinas e chega-se à pacata Dharamkot, com guest houses no meio do verde.

Há milhares de tratamentos espirituais para se fazer em Dharamkot: ayuvérdica, reiki, yoga, meditação etc.

Os ensinamentos do Osho e meditação foram, sem dúvida, um grande encontro na minha vida. Osho baseou sua filosofia e técnicas de meditação nos ensinamentos de Buda. Simplificadamente, podemos dizer que Osho (1931 a 1990) atualizou estes ensinamentos da época de Buda (563 a.C.) para o homem moderno. Vim a Dharamsala para aprofundar meu conhecimento sobre os ensinamentos de Buda, conhecer suas raízes.

Não tentei outros tratamentos como ayuvérdica e reiki. Numa jornada espiritual, conforme é uma viagem longa à Índia, onde há milhares de possibilidades, não é bom experimentar várias coisas, para não se confundir. Meu conselho é ao encontrar algo que é a sua verdade, em que se identifica, vá fundo. Depois se não for aquilo, tente outro caminho. O importante não é o fim, mas a jornada.

Nos dia 28 a 29 de junho, tive a sorte e a benção de participar do “teaching” de Dalai Lama no monastério Namgyal, em McLeod Ganj. O discurso foi em tibetano. Perde-se bastante na tradução simultânea para o inglês. Mas a essência da mensagem do budismo foi apreendida: “emptiness“, que significa “não-ego”,  a dissolução do “eu”. “Emptiness é “não-mente”, “não-corpo”, “não-eu”. O “eu” sem o “outro” é uma ilusão. Só existimos em comunhão com o todo.

Atingir o estado de emptiness (a liberação do ego, o estado de mente clara e estável, a verdadeira consciência), é atingir o nirvana ou, na tradição budista tibetana, a iluminação. Há 2 tradições budistas: Theravada e Mahayana.

Na Theravada, o objetivo é o nirvana, a liberação do ego com reflexos somente para o indivíduo. Nesta tradição, atingido o nirvana, o indivíduo liberta-se do ciclo da nascimento e morte. Na tradição Mahayana, seguida pelo budismo tibetano, o objetivo é a iluminação do indivíduo, mas com reflexos para toda a humanidade. O iluminado nasce novamente (reencarna) para ensinar o caminho da iluminação aos outros seres humanos, que ainda vivem na ilusão do ego, do “eu”.

Meditar é o meio para libertar-se dos condicionamentos sociais, que nublam nossa visão da verdade da existência, e alcançar a iluminação. Meditar é limpar a mente dos lixos criados pelo ego, pela ilusão do “eu”, e atingir o estado verdadeiro de consciência, livre dos venenos da ignorância, raiva, ódio, inveja, orgulho. O coração é o espelho da mente. O estado de verdadeira consciência significa um coração generoso, sem apegos, que abraça tudo e todos com amor, compaixão e sabedoria.

O homem meditador está no presente. Vive o aqui e o agora. Consciente dos fatos que marcaram sua história, consciente da ilusão do “ego”, vive a verdade da existência. Está em comunhão com o todo e percebe a vida como um presente, uma dádiva.

A existência tudo nos dá. Igual ao respirar. Não fazemos nenhum esforço para alcançar o ar. Ele está aí à disposição, nos é dado. O respirar é  espontâneo. O homem meditador não é passivo. É alerta. Alerta para receber. Mas não tenta controlar. Ele vive no fluxo do universo. Surfa na vida. Conectado com o seu centro, com o coração, o homem meditador percebe as dádivas da existência e as vivencia.

Nestes trinta dias em Dharamkot, experimentei Iyengar Yoga (5 dias de curso intensivo) e fiz o curso de introdução ao budismo no centro de meditação Tushita (10 dias). Os dois valeram muito a pena, complementação ao novo mundo que se descortinou para mim no centro de meditação do Osho em Puna. Yoga é uma etapa anterior à meditação, uma preparação para a mente agitada acalmar-se e entrar em estado meditativo.

Foi ótima a temporada em Dharamkot, além da intensa atividade, teachings do Dalai Lama, Iyengar yoga, introdução ao budismo, conheci grandes pessoas, Anna, da Polônia, Zoli, da Yoguslávia, Kailash, de Singapura, Andy, de Londres, Bernadete, da Suíça, e Agnes, da Polônia. Reencontrei Bodhi, grande pessoa, indiano, nos conhecemos no Osho em Puna.

Meu lugar favorito, que se tornou cativo, é o bar-restaurante Cool Talk Corner, na parte de cima de Dharamkot. A comida saborosa e caseira. O atendimento familiar. O ambiente aconchegante, perfeito para encontrar os amigos e conversar. Bons momentos regados à masala tea, chá com leite e condimentos picantes.

De quebra, uma cachoeira a duas horas de caminhada pela mata e uma noite nas montanhas em Triund, a 2.800 metros, 3 horas de subida a partir de Dharamkot.

Saudades de Dharamkot… Foi perfeito. Grande lugar. Pessoas especiais. Novos amigos.

Onde fazer yoga: http://www.hiyogacentre.com

Curso de budismo: http://www.tushita.info

Onde comer: Cool Talk Corner

Triund a 2.800 metros.

Bernadete, Anna e Andy.

Eu e Andy.

Triund.

Indo para cachoeira.

Feliz depois do mergulho nas águas do Himalaia.

Rindo à toa depois do revigorante mergulho! Cachoeira à direita.

Tushita, templo budista.

Colinas de Dharamkot.

Cool Talk Corner.

Cool Talk Corner.

Anna.

Andy, eu, Bernadete e Anna.

McLeod Ganj.

McLeod Ganj.

Golden Temple, Amritsar, Índia

Em meu caminho para Dharamsala, decidi visitar Varanasi e Golden Temple em Amritsar, highlights da Índia.

Singular experiência passar um dia inteiro no Golden Temple e presenciar um pouco da fé dos Sikhis, religião fundada pelo Guru, como chamam seu líder espiritual. A religião Sikhi não é braço do islamismo, nem do hinduísmo. Seguem o livro sagrado Guru Granth Sahib, o qual é mantido no Golden Temple.

Os Sikhis não cortam o cabelo, porque o consideram um meio de comunicação com o divino. Cortar o cabelo seria perder a comunicação com Deus e, consequentemente, a força. Por tal razão, usam o turbante na cabeça.

Se Deus me deu, não posso cortar o meu cabelo“, comentou um jovem Sikhi.

Também não ingerem bebidas alcóolicas. “Você bebe?“, me perguntou o jovem. “Eventualmente, socialmente“, respondi. “O que você ganha com isto? Me diz. Você bebe para ficar feliz? Pessoas fazem coisas terríveis quando bebem…“, comentou o jovem. Fiquei sem palavras.

Para entrar no Golden Temple, é preciso tirar os sapatos e cobrir a cabeça em sinal de respeito.

As águas ao redor do Golden Temple são consideradas sagradas e os Sikhis nelas se banham para se purificarem, curar enfermidades.

Ao cair da noite, todos se levantam e rezam entoando cânticos em direção ao Golden Temple. As preces e a iluminação dourada do Golden Temple na noite escura formam um bonito espetáculo.

Os Sikhis também foram super gentis e atenciosos comigo.

Valeu mais esta experiência antropológica-religiosa.

Onde ficar: www.gurjeetguesthouse (25 dólares quarto com ar condicionado). É possível também se hospedar no quarto coletivo destinado para turistas no Golden Temple. Apenas lhe pedem uma doação. Tentei ficar lá, mas o calor estava insuportável. Não dava para relaxar e dormir. Fui para o hotel no meio da noite…

Varanasi, Índia

Rio Ganges ao fundo. Meer Ghat.

Ao chegar em Varanasi, uma surpresa, era o aniversário do rio Ganges, 12 de junho.

Dois dias de festival hindu para celebrar a data. Uma das cidades mais sagradas para o hinduísmo, Varanasi estava repleta de indianos. Peregrinos que vieram de longe para se banharem nas águas do rio, purificarem o karma e fazerem suas devoções à divindade Ganga.

Pujas (preces) e aratis (flor com uma vela num pequeno recipiente) são oferecidos ao rio sagrado.

Também fiz minha fé e ofereci um arati ao Ganges para me trazer boa sorte e abençoar minha família.

Morrer às margens do rio Ganges é considerado bom presságio. Se isto não acontece, corpos são cremados à beira do rio para purificação do karma e libertação do ciclo do nascimento e morte.

Os rituais de purificação e cremação são realizados nos Ghats, portões às margens do Ganges. Há vários Ghats ao longo do rio, mas os principais são em torno de 15. O festival de celebração do aniversário do Ganges ocorreu no Meer Ghat.

Dois dias em Varanasi é tempo ideal para visitar os Ghats e andar de bote pelo rio Ganges, principais atrações da cidade.

Junho, sem dúvida, não é a melhor época para visitar Varanasi, um calor de 45 graus. Moradora do Rio de Janeiro, pensei que suportaria tranquilamente a elevada temperatura. Circular pelas ruelas e becos de Varanasi, durante o dia, foi uma tarefa, não um passeio. Mas valeu a experiência cultural.

Vivenciei mais de perto a Índia real.

Baixa temporada, poucos turistas estrangeiros estavam na cidade em junho, o assédio para fazer passeios, serviços de guia, foi grande. Senti-me um cifrão. Considerando a pobreza, é super compreensível. Em compensação, foi acolhida no meio da multidão pela família da foto acima.  Foram muito gentis. Tiraram várias fotos comigo.

Falando nisso, os indianos sempre pedem para tirar fotos ao meu lado. Deve ser o chapéu… risos…. Na verdade, eu sou exótica para eles. Natural. A estrangeira sou eu.

Ficam surpresos e gratos com a minha disponibilidade de posar. Eu me divirto e sinto-me lisonjeada. Além do que, como fotógrafa, não poderia negar. Gentileza gera gentileza. Já devo ter umas dezenas de fotos espalhadas pela Índia.

Os indianos me cativaram. Fui muito bem recebida.

Onde ficar: Hotel Alka (www.hotelalkavns.com), às margens do Ganges (30 dólares quarto com varanda e ar condicionado).

Butão

Ninho do Tigre, monastério budista.

Em cada bandeirinha, um mantra está escrito. Os budistas penduraram-nas no topo das montanhas para a brisa suave do vento levar a sua mensagem de benção e  paz a toda a comunidade. As bandeiras são penduradas, também, nas pontes, para que as águas dos rios levem a benção dos mantras a todos os moradores ao longo do seu curso.

Thimphu Tashi Chho Dzong, Palácio do Rei e templo budista.

“Quatro amigos”, símbolo de cooperação.

O pássaro coopera com o coelho, que coopera com o macaco, que coopera com o elefante.  O pássaro passa a fruta para o coelho, que passa para o macaco, que passa para o elefante.

A imagem nos lembra de que os maiores também dependem dos menores. Sentimentos de superioridade e inferioridade não trazem harmonia. Um coopera com o outro. Todos compartilham e ganham.

Os butanenses budistas costumam usar esta imagem em casa para trazer felicidade para a família.

Uma das imagens simbólicas de que eu mais gostei. O espírito da cooperação. Cada um contribuindo e cooperando conforme a sua singularidade.

Comprei para pendurar na minha futura casa e me trazer boa-ventura!

Vajrapani.

Deus tomado pela ira para afastar os maus espíritos. Dorje, o instrumento em sua mão direita, é uma arma usada para subjugar demônios, maus espíritos. Os 5 crânios em sua cabeça representam a transformação dos 5 venenos (ignorância, ódio, raiva, cobiça, orgulho) em sabedoria e compaixão.

Ele é deus do poder e das vitórias.

Cercado por um fogo ardente para enfatizar o seu poder em afastar forças malignas.

Também gostei do simbolismo desta imagem. Um lembrete para nós de um comprometimento constante na busca pela libertação dos cinco venenos que corroem o espírito e impedem a iluminação.

Deus irado que conduz à Compaixão! À Luz! Verdadeiro Poder! Vitória!

Falo, à direita, é pintado nas paredes de casas campestres para proteger de má sorte, mau olhado, fofocas maledicentes, doenças. É o símbolo da fertilidade.

consciência e sabedoria

Buda Samantabhadra e Samantabhadri.

Simboliza a unidade da consciência e da sabedoria.

A consciência representada pelo masculino, de corpo azul.

A sabedoria representada pelo feminino, de cor branca.

Chakrasambhara de dois braços e seu consorte feminino.

A imagem não deve ser interpretada como duas divindades diferentes – como marido e esposa, duas pessoas diferentes.

O abraço tântrico divino simboliza a união da grande benção e emptiness (de difícil tradução para o Português, mas seria o estado natural da mente, livre, vazia, pura).

A imagem simboliza UM e de mesma ESSÊNCIA.

A arma vajra que o consorte feminino segura na mão direita representa o corte do EGO.

Animi Dratshang Lhakhang, templo budista.

Animi Dratshang Lhakhang, templo budista.

Memorial Chhorten.

Mantras são colocados dentro dos sinos. Quando giramos os sinos, a benção dos mantras nos protege e a todos os seres humanos.

Dochula Pass. Com 108 estupas.

Chhimi Lhakhang, templo budista.

Chhimi Lhakhang é conhecido como casa ou templo da fertilidade. É abençoado pelo Lama Drukpa Kuenley (conhecido como Divine Madman). Divine Madman ganhou este apelido por causa dos seus não-comuns ensinamentos para a iluminação através do sexo, desejos e emoções. Comprei o livro sobre as estórias do Divine Madman.

O templo da fertilidade é um dos mais reverenciados e visitados do Butão. Além dos butanenses, pessoas do mundo inteiro o visitam para buscar as bençãos da fertilidade.

Cada templo budista possui um ou alguns números de sorte. O número máximo deste templo é 11. Joguei os 3 dados que ficam em frente ao altar, fiz o meu desejo e tirei o número 11! Significa que o meu desejo é justo segundo a filosofia do budismo (compaixão, sabedoria, generosidade) e tem todo o potencial para se realizar!

O pedido pode ser sobre tudo: amor, família, trabalho. O fato de não se obter o número da sorte não significa que o pedido não se realizará. Pode significar a realização de algumas ações precedentes para que o pedido aconteça. Quando não se obtêm os números da sorte, os butanenses não desistem de pronto, aconselham-se com lamas e astrólogos.

A árvore Buddhi sob a qual Buddha se iluminou.

Dzong, Ponakha.

Sonam, meu guia.

Roupas tradicionais.

Ninho do Tigre.

103 anos de monarquia. Felicidade é prioridade.

A felicidade como prioridade do governo, sem dúvida, é um dos maiores atrativos que desperta a curiosidade dos turistas, levando centenas ao Butão todos os anos.

A felicidade como filosofia de governo significa que riqueza material não tem valor sem felicidade e realização pessoal. Um país conhecido por considerar o índice da Felicidade Interna Bruta mais importante do que o Produto Interno Bruto.

Conhecer de perto o que é esta felicidade como política de governo, o que isto representa no dia-a-dia das pessoas, e aprender sobre o budismo, foram minhas motivações para visitar o país.

Os quatros pilares do governo para assegurar a felicidade são: 1) desenvolvimento sustentável e equânime, 2) preservação e promoção da cultura tradicional, 3) preservação do meio-ambiente, 4) boa governança.

É por meio de uma controlada política de turismo que o crescimento da felicidade é assegurado. O turista para visitar o país tem de desembolsar em torno de 200 dólares diários, dos quais cerca de 33% são royalties do governo.

Não queremos backpackers. Através da renda do turismo temos hospital gratuito, construimos estradas, levamos eletricidade a vilas rurais. Se o desenvolvimento impactar negativamente o meio-ambiente e a tradição, não o queremos. Hoje, 72% do Butão são florestas. Nossa meta é preservar intacto 60% do meio-ambiente para as futuras gerações. Não queremos mudar do espiritualismo para o materialismo. Para nós, isto é felicidade. Entendemos que seguindo os 4 pilares estaremos assegurando e incrementando-a. Acreditamos que através de uma política de turismo sustentável manteremos a tradição”, comenta Ten, diretor da Authentic Bhutan Tours.

Minha experiência no Butão foram apenas 5 dias. Não tive oportunidades de conversar e interagir com a população local. Não tenho como falar sobre a felicidade, mas sim minhas impressões sobre a hospitalidade. Um povo pacato e receptivo ao turista.

É um país essencialmente rural, 79% da população vive no campo, embora 8% das terras sejam cultivadas. O grande desafio para o Butão hoje é a globalização. Em 1999, a internet e a televisão chegaram ao país e junto milhares de programas e anúncios mostrando um mundo moderno, sedutor, um estímulo aos desejos do mundo capitalista.

Qual é o impacto da TV e internet na cultura? Como as pessoas lidam com o mundo do consumo, dos desejos ilimitados dos anúncios? Na verdade, não há lojas dos produtos dos comerciais aqui, não é?”, perguntei ao Ten.

Sim, não temos estas lojas aqui. Os anúncios da TV são o nosso maior desafio. Mas não poderíamos proibir a TV. Eu, particularmente, resolvo o desejo pelo ensinamento budista da impermanência. Tudo é impermanente no mundo. Impermanência é a palavra que pode pacificar o desejo do consumo. Através da impermanência nós podemos chegar ao contentamento. Eu sou feliz com o que eu tenho. Desejo é um tipo de ilusão. Luxo, desejo é construído pela sua mente. Tudo é mente. Quanto mais você treina sua mente, através da meditação, maior contentamento. Quando as pessoas mudam do espiritualismo para o materialismo, querem mais e mais. Nunca estão satisfeitas. Não queremos mais produtos no Butão. Queremos mais felicidade. Nós não queremos apenas desenvolvimento. Nós queremos o equilíbrio entre felicidade e desenvolvimento, entre tradição e modernidade. Se o desenvolvimento impactar negativamente a felicidade, não o queremos”, disse Ten.

Na revista “Bhutan” sem número, do Departamento de Turismo, uma mensagem para o mundo:

“Felicidade Interna Bruta é uma profunda mensagem para o mundo hoje, um mundo onde se diz que as pessoas perderam suas almas na busca por conforto material”.

Para mim, valeu a visita ao Butão. Mergulhei no universo deste país quase intocado, inscrustado na Cordilheira do Himalaia, de tradição budista e natureza exuberante. Por meio do meu guia Sonam, tive uma boa introdução à filosofia e prática do budismo. No Nepal, meu objetivo era o trekking ao Campo Base do Everest. Além disso, caminhar acima dos 5000 metros tira o fôlego de qualquer um, não tive muita energia, nem tempo, de conversar sobre budismo. Minha primeira experiência com o budismo foi no Butão. Estava planejando uma viagem ao Tibet de 8 dias, mas dois dias antes de partir a China fechou as fronteiras. O motivo: tensões políticas entre o Tibet e a China. Agora, estou a caminho de Dharamsala, refúgio de Dalai Lama no norte da Índia. Para minha sorte, nos próximos dias 28 e 29 de junho, Dalai Lama proferirá seus ensinamentos. O evento é aberto ao público. Irei participar!

Dica: No voo de Kathmandu a Paro, aeroporto do Butão, sente nas janelas da fileira A do avião. Você irá se extasiar com a beleza do Monte Everest e dezenas de outros picos do Himalaia cortando as nuvens. É um espetáculo à parte! E na volta, é claro, sente nas janelas da fileira F. Um espetáculo da natureza como este a gente nunca cansa de apreciar!

Quem leva: www.authenticbhutan.com.bt

Pokhara, Nepal

Sete dias me espreguiçando à beira do lago de Pokhara, a sete horas de ônibus de Kathmandu.

A pequena cidade é porta de entrada para circuitos de trekkings de 4 a 22 dias na região do Monte Annapurna, de 8.091 metros.

Para quem quer sentir-se livre como um pássaro no céu azul do Himalaia, recomendo voar de paragliding sob os picos nevados de neve eterna. O charme de Pokhara.

Eu estava muito preguiçosa. Depois de catorze dias de caminhada pesada ao Campo Base do Everest, meu corpo me pediu descanso, além de querer curtir o momento. O prazer depois da missão cumprida.

Meus dias em Pokhara se alternaram com aulas de yoga, leitura dos livros “An Open Heart: practising compassion in everyday life” do Dalai Lama, “Meditation: the art of ecstasy” do Osho, meditações dinâmicas do Osho e massagens ayurvédicas.

Pokhara foi a escolha perfeita para o desfrute da sensação do objetivo cumprido pós-Everest trekking. Agora, baixa estação, a cidade está pacata. Imagino que nos  meses de setembro a novembro, alta temporada de trekking, a pacata cidade borbulhe.

Valeu a pena a estadia “fazendo nada” (risos) nesta semana em Pokhara. Em viagens longas como esta (DEZ meses mochilando), é preciso parar de vez quando, pegar fôlego e só relaxar. Curtir o ócio.

Amanhã, viajarei para o Butão, o país da felicidade!

Onde ficar: Lake View Resort (www.pokharahotels.com)

Aulas de yoga e meditação: www.oshodivinezone.org

Kathmandu, Nepal

Ruas de Thamel.

Bouddhanath Stupa.

Durbar Square.

Sadhu.

Olhos do Buddha. Swayambhunath Stupa.

Torre Basantapur, na praça Durbar.

Reserve três dias em Kathamandu. Dois dias para visitar sem pressa os pontos turísticos: Swayambhunath Stupa, Durbar Square e Bouddhanath Stupa. Imperdíveis. Um dia para circular pelas ruas de Thamel. À noite, vale curtir os bares badalados de Thamel e apreciar a iluminação de Bouddhanatha Stupa.

Onde ficar: Tibet Guest House (www.tibetguesthouse.com, 16 dólares) e Lhasa Guest House em Thamel (lhasaguesthouse@hotmail.com, 8 dólares), www.shankerhotel.com.np (90 dólares, hospedei-me 1 noite neste hotel depois do trekking no Everest, estava incluído no pacote, nada melhor do que relaxar num confortável hotel depois de 14 dias caminhando… merecido!)

Everest Base Camp Trek via Gokyo

Campo-base do Everest, 5.364 metros.

Catorze dias de emoção e adrenalina no trekking ao Campo-Base do Everest, a 5.364 metros. Esta foi a última caminhada dos meus sonhos.

Senti-me muito emocionada quando avistei o campo-base do Everest.

Como uma criança de três anos de idade que conquistou o doce 🙂 depois de um bom comportamento. Isto é, certo esforço e determinação.

Muita ralação e contentamento nestes catorze dias de caminhada. Estou feliz.

Minha aclimatação foi perfeita. Não senti náuseas, sensação de vômito ou perda de apetite – os primeiros sintomas do mal de altitude. A 4.800 metros, estava com 90% de oxigênio. Excelente taxa para esta altitude!

Só a duração foi um pouco apertada. Fiz em 14 dias. Recomendo fazer o trekking em 17 dias. Menos ralação e mais curtição.

Nunca pensei fazer o cume do Everest. Além de muito dinheiro, em torno de 40 mil dólares, é risco de vida. Mas confesso que depois de ir até o campo-base e ver o vídeo de 2 russos que encontrei no alojamento de Gorak Shep (eles fizeram o cume no dia 16 de maio) deu uma vontadezinha de ir lá. Quem sabe?…

Só com uma grande motivação e patrocínio. É muito dinheiro para desembolsar. Eu seria a terceira mulher brasileira a chegar ao cume do Everest. Em 2006, Ana Boscarioli foi a primeira brasileira. Em 2010, foi a vez da brasileira Cleo Weidlich.

Na verdade, na verdade… depois da última caminhada dos meus sonhos, eu quero agora é sombra e água fresca. De preferência, numa praia paradisíaca no Nordeste, água de coco e caipirinha! Ah, e muito bem acompanhada! 🙂

Amigos, colegas e leitores, escreverei uma matéria para o caderno Boa Viagem do jornal O Globo, quando fornecerei mais informações sobre o trekking.

Até lá!

Certificado do trekking no Campo-base do Everest.

Quem leva: www.himalayanglacier.com

A exótica sou eu!!

Estes jovens indianos me abordaram pedindo para tirar uma foto comigo.

Eu disse “sim“.

Curiosa, perguntei: “Por quê?“.

A resposta: “Você é diferente”, responderam sem jeito, rindo.

Entendi a mensagem:

A exótica aqui sou eu !! (risos)

Adorei!! Aproveitei e tirei fotos com a minha câmera também!

Hawa Mahal, Jaipur.

Hawa Mahal, Jaipur.

Índia

Depois de cinco semanas de meditação no Osho Meditation Resort, decidi pegar uma carona com um amigo da Guatelama, rodar um pouquinho pela Índia e depois desbravar as paisagens deslumbrantes do Himalaia. Iremos nos aventurar no Everest ! !

Hoje, finda nossa pequena trip nos arredores de Nova Delhi. Eu e J. optamos por um esquema confortável. Contratamos um tour de cinco dias de Nova Délhi até Jaipur. As distâncias entre os pontos turísticos são longas. Rodamos de carro cerca de quatro horas por dia, mudando de uma cidade para a outra. Parando só algumas horas do dia para visitar os monumentos turísticos.

Trocar de hotel a cada dia, pegar trem, ônibus, táxi, por nossa própria conta, além de cansativo, demandaria mais tempo. Concluímos que o tour foi na medida. Bom custo-benefício.

Em Nova Délhi, o ponto alto foi visitar a Casa de Gandhi. Emocionante e histórico. Seguimos para Agra, onde visitamos o Taj Mahal. Magnífico. Obra-prima. Um monumento ao amor. O lugar é mágico. A energia do amor está no ar… vibra naquele lugar.

No caminho para Jaipur, valeu a parada no Fetahpur Sikri Fort.

Em Jaipur, o ápice foi montar no elefante e subir as colinas do Amber Fort. E também perambular pelas ruas!

Simplesmente adorei!!

Casa de Gandhi.

Taj Mahal.

Taj Mahal.

Agra Fort.

Fetahpur Sikri Fort.

Agra Fort.

Fetahpur Sikri Fort.

Fetahpur Sikri Fort.

Jaipur.

Amber Fort, Jaipur.

Amber Fort, Jaipur.

Amber Fort, Jaipur.

Amber Fort, Jaipur.

Amber Fort, Jaipur.

Amber Fort, Jaipur.

Nas ruas. Jaipur.

Como irhttp://www.himalayanglacier.com