A exótica sou eu!!

Estes jovens indianos me abordaram pedindo para tirar uma foto comigo.

Eu disse “sim“.

Curiosa, perguntei: “Por quê?“.

A resposta: “Você é diferente”, responderam sem jeito, rindo.

Entendi a mensagem:

A exótica aqui sou eu !! (risos)

Adorei!! Aproveitei e tirei fotos com a minha câmera também!

Hawa Mahal, Jaipur.

Hawa Mahal, Jaipur.

Índia

Depois de cinco semanas de meditação no Osho Meditation Resort, decidi pegar uma carona com um amigo da Guatelama, rodar um pouquinho pela Índia e depois desbravar as paisagens deslumbrantes do Himalaia. Iremos nos aventurar no Everest ! !

Hoje, finda nossa pequena trip nos arredores de Nova Delhi. Eu e J. optamos por um esquema confortável. Contratamos um tour de cinco dias de Nova Délhi até Jaipur. As distâncias entre os pontos turísticos são longas. Rodamos de carro cerca de quatro horas por dia, mudando de uma cidade para a outra. Parando só algumas horas do dia para visitar os monumentos turísticos.

Trocar de hotel a cada dia, pegar trem, ônibus, táxi, por nossa própria conta, além de cansativo, demandaria mais tempo. Concluímos que o tour foi na medida. Bom custo-benefício.

Em Nova Délhi, o ponto alto foi visitar a Casa de Gandhi. Emocionante e histórico. Seguimos para Agra, onde visitamos o Taj Mahal. Magnífico. Obra-prima. Um monumento ao amor. O lugar é mágico. A energia do amor está no ar… vibra naquele lugar.

No caminho para Jaipur, valeu a parada no Fetahpur Sikri Fort.

Em Jaipur, o ápice foi montar no elefante e subir as colinas do Amber Fort. E também perambular pelas ruas!

Simplesmente adorei!!

Casa de Gandhi.

Taj Mahal.

Taj Mahal.

Agra Fort.

Fetahpur Sikri Fort.

Agra Fort.

Fetahpur Sikri Fort.

Fetahpur Sikri Fort.

Jaipur.

Amber Fort, Jaipur.

Amber Fort, Jaipur.

Amber Fort, Jaipur.

Amber Fort, Jaipur.

Amber Fort, Jaipur.

Amber Fort, Jaipur.

Nas ruas. Jaipur.

Como irhttp://www.himalayanglacier.com

Leela: o primeiro renascimento

Em 15 de abril de 2011, em Pune, Índia, nasci de novo… Primeiro, gostaria de dizer que não precisamos trocar de nome para sentir o renascimento dentro de nós. No meu caso em particular, senti este desejo, esta vontade. Como penso que devemos fazer tudo para nos sentirmos felizes, escolhi um novo nome para mim, que expressasse o meu íntimo, o meu verdadeiro e natural Ser: Leela, em hindi, ou Lila, minha adaptação para português. Na verdade, Lila veio ao meu encontro. No meu primeiro dia no Osho Meditation Resort, conheci uma israelense com este nome e adorei a sonoridade da palavra Li-la. Passadas algumas semanas, ela me disse o seu significado: Lila é brincar na vida, é ver e viver o mundo com um espírito lúdico, brincalhão. Um estado pueril do Ser. Menina faceta que enxerga o mundo como um playground. Tudo é uma oportunidade de brincadeira. Lila, menina de olhos brilhantes, curiosos, ávidos pela vida, é encantada com a lucidade do Viver! Para ela, o mundo é divino… Inocente. Adorei o significado! Na minha terceira semana, após encontrar a mim mesma na atmosfera deste lugar, nas meditações e palavras do Osho, uma ode à liberdade, comecei a sentir o desejo de um nome sannyas. Pensei em Prem GlóriaPrem significa amor. O significado é lindo. Amor é a essência do mundo. Mas após alguns dias senti que Prem não traduzia o que eu sou de mais genuíno. Então, de repente, Lila veio à minha cabeça e a certeza de que este era o meu nome, que traduz e confirma para mim mesma a minha verdadeira essência e também, através de um processo de reconhecimento, como um espelho, o olhar do outro sobre mim. Ludicidade, para mim, é o que de mais belo a existência nos oferece. Sempre vi e gostei de enxergar o mundo sob este olhar. Sempre gostei de estar no mundo sob esta vibração. Osho foi um grande encontro. Segundo Osho, lucididade, playfulness, é um dos caminhos para iluminação. Michelle é guerreira. Ainda sou. Não a nego. Michelle é meu ego, minha energia Yang, minha força masculina. Força. Determinação. Com seus momentos altos e baixos. Com maior clareza e entendimento da minha vida, meus condicionamentos até aqui, que moldaram a minha identidade, prefiro, neste ponto da minha jornada, renascer como Lila. Lila. Menina jocosa. Espirituosa. Menina-flor. Mulher que desabrocha, exalando sua fragrância pueril oriunda da sua criança eterna. É minha energia Ying que estava adormecida. Glória é êxtase. Explosão. Luz! Michelle Lila Glória é a minha trajetória: a busca por mim mesma, autoconhecimento desde o Caminho de Santiago, a busca por iluminação, estado de êxtase, transcendência, a busca pelo divino do Ser. Não preciso mais buscar. Aqui, através das meditações e palavras do Osho, encontrei o suporte espiritual que faltava para eu viver a plenitude, a divindade do meu Ser. No ritual de celebração no dia 15 de abril de 2011, quando renasci como Lila, as palavras selecionadas de Osho foram, particularmente, especiais para mim: “Se você pretende se tornar um sannyase, isto significa não mais ego, não mais raiva. E sim ludicidade, gratitude, humildade. Você se tornou um observador. Você é Budha. Você não precisa mais procurar além das nuvens. Apenas em você mesmo. Então, você encontrará a si mesmo e se tornará independente”. O caminho para iluminação é: Seja. Não viva na periferia. Conecte-se com o seu centro, com o seu Ser. Então, você sentirá um prazer enorme brotando de dentro, transbordante, transcendente. O amor brota e ele é infinito. Você se iluminou. Meditação, ludicidade são caminhos para iluminação, pois nestes estados você É. Pleno. Inteiro. Budha. River of Life – Osho song It’s the heartbeat of the Universe. It’s the silence in our soul. It’s the joy that makes every moment new. It’s the bliss when we are whole. OM SHANTIH SHANTIH SHANTIH OM. Esta é a música que tocou na celebração do meu novo nome sannyasPara mim, particularmente especial.

Espírito Brincalhão

Brincar. Brincar. Brincar. Um milhão de vezes eu digo: brincar.” Osho

This. A thousand times this.”, com essas palavras Osho nos lembra de que só existe o aqui e o agora.

Não existe passado. Não existe futuro. Só o presente. Viva. Seja.

A carta “playfulness”, a mulher brincalhona, do Tarot Zen do Osho, remeteu-me ao espírito do carnaval de rua do Rio de Janeiro. O resgate nos últimos anos do espírito brincalhão. O reviver da nossa criança adormecida. Pura inocência e ludicidade.

A menina brincalhona enxerga a vida com um olhar lúdico. Adulta-criança, completamente no presente, essa mulher não sente medo da morte, não sente medo de amar, não sente medo da vida.

Medos que vêm de um viver no tempo passado, preso a traumas, e na expectativa de um futuro promissor, que nunca chega, pois não se vive o presente. Os medos, os pensamentos não deixam. A mente está no controle.  Seu Ser, aprisionado.

Aceite. Liberte-se.

Só o Ser existe.

O aqui e o agora.

Seja.

“No momento em que você começa a ver a vida não sob um olhar tão sério, mas sim com ludicidade, todo o fardo em seu coração desaparece. Todo o medo da morte, da vida, do amor – tudo desaparece. Você começa a viver com a leveza da luz. Então sem o peso nas suas costas, você se torna capaz de voar no céu azul.” (Do livro “Osho Zen Tarot”).

Brinque.

Seja criança.

Inocente.

Confie.

“Vida é raramente tão séria o quanto nós acreditamos que ela seja, e quando nós reconhecemos este fato, nós reagimos dando-nos mais e mais oportunidades de brincar. A mulher nesta carta (o palhaço) está celebrando a alegria de viver, como uma borboleta que saiu da crisálida para a luz. Ela nos lembra do tempo de quando éramos crianças, catando conchas na praia e construindo castelos na areia, sem alguma preocupação de que a onda poderia vir e destruí-los no segundo seguinte. Ela sabe que viver é uma brincadeira, e ela participa dessa brincadeira como um palhaço, presente no aqui e agora, sem nenhum constrangimento ou fingimento.” (Do livro “Osho Zen Tarot”). 

Ter sido porta-bandeira do bloco de rua “Desculpa pra Beber” no carnaval deste ano me remeteu a meus tempos de infância. Senti-me uma criança com um brinquedinho na mão. Interagindo, brincando com tudo e todos. Pura plenitude…

Viva.

Extasie-se com o Ser.

Em Ser.

Como uma criança.

Plena.

Brincalhona.

Seduzida pela ludicidade de viver ! !

Eu, porta-bandeira, e meu querido amigo Paulo André, mestre-sala.

8250

Eu. Plena. Pura Felicidade!! Na avenida!!!

Chegada em Pune, Índia

Após 30 horas de viagem, finalmente cheguei no Osho Meditation Resort em Pune, Índia. Cerca de 25 horas de voo Rio de Janeiro-Paris-Mombai e 5 horas de estrada Mombai-Pune.

Cheguei na quarta-feira 23 de março de manhã. Estava tão cansada. Não dormi no trajeto. Acordada há 30 horas, desmaiei na cama. Dormi o dia inteiro. Acordei à noite. Pulei da cama com a excitação da primeira vez e fui conferir o lugar.

Para a minha grata surpresa, estava acontecendo uma festa no Plaza Café. Mesas e cadeiras ao ar livre. Pessoas dançando livremente ao sabor da melodia. Gostei da vibração. Um gosto de liberdade no ar.

Em poucos minutos, já estava na pista de dança. Livre, leve e solta. Dançando, flutuando, movimentando meu corpo, fluindo com o ressoar dos acordes na minha alma. Movimentos livres, não-formatados, não-apreensivos com o olhar julgador do outro. Apenas eu e a música ali presentes. Nada mais existia. Completamente absorta no aqui e agora, senti a completude do meu Ser. Uma sensação de felicidade brotou de dentro, das entranhas. Reminicências registradas no meu corpo do prazer imensurável de dançar livremente expressando o meu Ser. Regozijei-me.

Dançar, girar, piruetar, por toda a pista de dança, cabeça para um lado, cabelos para o outro, braços pra cima, pra baixo, ventre e tronco hipnotizados, sincronizados,  dissolvidos no tom musical… Pura meditação.

Ego diluído e o Ser vivo.

Completamente Vivo.

Vitalidade pura. Extasiante.

Inebriante.

Gozo.

Foi amor à primeira vista. Esta noite lembrou-me as festas na casa da Martinha em Brasília. Eu, Paulo André, Araci, Loise e outros amigos pulando, rolando no tapete do chão, dançando performaticamente como expressão do Ser. Da alma. Bons tempos. Saudades… Tempos de liberdade, não-julgamento, não-competição, não-máscaras. Apenas adulto-crianças expressando-se de forma livre e despretensiosa, celebrando a Vida.

Osho é celebração da Vida.

É só isto, ou melhor, é isto tudo. O que Osho quer, na verdade, deseja para nós é: descubra o prazer inesgotável de Ser, do Ser, da Existência. Viva. Sinta. Delicie-se simplesmente em Ser. Permita-se. Goze com a totalidade em Ser.

Já havia lido alguns livros do Osho. Seus pensamentos sempre impactantes e dilacerantes para  mim. Há 15 anos atrás estive na comunidade “Osho Lua” na Chapada dos Veadeiros em Brasília. Era carnaval. Um amigo convidou-me para um carnaval diferente em contato com a natureza numa fazenda na Chapada dos Veadeiros. Falou-me que era um lugar de meditação, mas que eu não precisava participar das atividades e sim tão somente fazer trekking e desfrutar das cachoeiras. Eu topei.

Chegar no Osho Lua foi uma surpresa. Deixamos os carros na estrada no meio do nada. Uma Toyota veio nos buscar. Longa viagem balançando no 4×4 em direção ao coração da Chapada. Depois pegamos um bote. E por fim uma trilha até chegar na comunidade. Outra surpresa. Uma mulher nos recepcionou falando inglês. Pensei: “Onde estou?!… No Brasil?!… Alguém falando inglês no interior do cerrado!?… Uau…”. Fiquei estupefata.

Osho Lua é um lugar indescritível. Senti-me dentro de um filme. Fazendo parte de uma ficção. Não podia ser real. Um lugar lindo. Plácido. De natureza exuberante e virgem no coração da Chapada dos Veadeiros.

Naquele momento, não participei das meditações. Esbaldei-me nos banhos de cachoeiras, rio, extasiei-me com a natureza viva, deliciei-me com a comida vegetariana. Foi a primeira vez que ouvi falar de Osho. Na época, me perguntei: “Osho?! O que é isto?” (risos).

Quinze anos depois estou aqui no Osho Meditation Resort (antigo Osho Ashram) iniciando-me na meditação. Outra grata descoberta. Suas meditações são um presente para nós homens ocidentais, de vida acelerada, competitiva, repleta de códigos sociais, que machucam e aprisionam o Ser.

Eu não sou uma massa. Eu sou única.

“Não comparação. Não competição. Não sucesso. Não superioridade. Não papéis. Nós somos únicos. O novo homem é auto-realização. O novo homem é espontaneidade” (Pensamentos do Osho).

Na internet: http://www.osho.com

Ukonwaba Photo Club

Ukonwaba Photo Club é o projeto que eu desenvolvi com adolescentes e câmeras fotográficas na township Langa na Cidade do Cabo, África do Sul. Fruto da parceria com Frida Vesterberg, gerente e co-fundadora da Fundação Projeto Playground.

http://www.project-playground.org/

Durante sete semanas, tive o prazer de ensinar fotografia, minha paixão, e vivenciar a inocência e vitalidade dos meus alunos adolescentes e crianças participantes das demais atividades da Fundação Projeto Playground.

Acredito no potencial transformador da fotografia. Vejo a câmera fotográfica como um instrumento lúdico de auto-expressão e, também, de interação social. A produção de imagens pelos adolescentes de si mesmos, do espaço e comunidade onde vivem é uma ferramenta colaboradora na construção de autoconfiança e autoimagem.

Espero que através dessa caixinha de surpresas, que é a câmera fotográfica, as crianças descubram o enorme potencial criativo que existe dentro delas e vivenciem a adolescência com confiança e esperança no futuro.

Townships são cidades na periferia da Cidade do Cabo, onde os negros foram obrigados a residir na época do apartheid social . Langa é a mais antiga township. Criada em 1923.

Durante o regime do apartheid, os negros eram proibidos de circular no centro e bairros da orla da Cidade do Cabo, exclusivos aos brancos. Ao fim de um dia de trabalho, tinham de retornar imediatamente às suas residências nas townships.

Apesar do fim do apartheid social em 1994 com a eleição do ex-presidente Nelson Mandela, a desigualdade social entre negros e brancos salta aos olhos. O que desfavorece o fim da animosidade ainda existente entre negros e brancos, resquício do regime ultra-opressor. O sistema de cotas sul-africano para inserção dos negros no mercado de trabalho, ainda, não foi capaz de reverter esse quadro de desigualdade social, o qual, também, contribui para a não-valorização da cultura negra sul-africana. Sem dúvida, a Copa do Mundo foi um grande evento que resgatou um sentimento de nação e unidade entre sul-africanos negros e brancos.

Faço este preâmbulo para dar ao leitor uma breve noção do pano de fundo que me motivou a fundar Ukonwaba Photo Club. Além de colaborar na construção de um olhar próprio de si mesmos, através da produção da autoimagem, Ukonwaba pretende também contribuir como um elo de ligação de amor e paz entre negros e brancos sul-africanos.

Escrevo do lugar de uma viajante com olhar antropológico e sensível às questões afetas à humanidade. Esta experiência com as crianças, adolescentes e adultos de Langa Township e Project Playground foi profundamente humana. Dei muito amor e recebi muito amor. Para mim, trabalho voluntário trata-se disso: troca humana.

Foi trabalhoso. Claro! Mas não tem preço ver o sorriso e o brilho do olhar de uma criança.

O que eu desejo para as crianças e adolescentes de Langa é: SER FELIZ.

UKONWABA significa, na língua sul-africana xhosa, SER FELIZ.

O que me deixa hoje muito contente é saber que o projeto continuará.

Siseko é o novo professor do UKONWABA PHOTO CLUB, o qual foi contratado pelo PROJETO PLAYGROUND.

Maravilhoso!

http://ukonwaba-photoclub.blogspot.com.br

Pausa

Olá amigos, colegas e leitores!

Agradeço muitíssimo todos por terem me acompanhado até aqui!

Agradeço muitíssimo os comentários postados. Para mim, esta é a melhor parte do blog: a possibilidade de compartilhar e trocar.

Trocar experiências, vivências, sensações. Aprendi, emocionei-me, dei gargalhadas, fiquei feliz… com os comentários de vocês. Muito obrigada pelo carinho e atenção!

Ainda não voltarei para o Brasil. Estou na África do Sul e ficarei por aqui mais alguns meses. Farei uma pausa no blog por uns meses para me dedicar, integralmente, ao projeto de fotografia que desenvolverei em Langa township com as crianças. Terei muito trabalho pela frente, mas estou empolgadíssima com esta oportunidade. Ensinar a minha paixão e estar com crianças! É, realmente, maravilhoso!

No próximo ano, em 2011, pretendo viajar para a Ásia. Não sei se retomarei o blog. Quero me dedicar ao livro sobre esta viagem, que começou lá no Caminho de Santiago. Quero escrever sobre a minha busca de autoconhecimento e espiritualidade. Cada acontecimento, cada pessoa que encontrei, cada palavra sábia e amiga foram e estão sendo importantes nesta trajetória. Preciso e quero compartilhar com o mundo os presentes da Vida que venho recebendo. Divinas oportunidades de aprendizagem, crescimento e descoberta. Duras e doces descobertas…

A África foi uma grata descoberta. Sua hospitalidade, sua simpatia, sua espontaneidade, seus generosos e largos sorrisos… Sua humanidade me encantaram. Quero voltar e mergulhar mais nos encantos do seu grande coração. Salve Mama África!!

Por último, gostaria de dizer que muitos me chamam de corajosa por botar uma mochila nas costas e sair sozinha por aí… mundo afora. Muitos me perguntam: “De onde vem essa coragem?…“. A resposta é:

Eu, simplesmente, acredito no ser humano.

Acredito no sentimento universal de humanidade que cada um de nós sentimos em nossos corações. Esta é a origem da minha coragem. Tenho a crença de que sempre encontrarei na minha jornada o melhor do ser humano. Se você respeita o próximo, respeita a diversidade e compreende que todos nós, brasileiros, africanos, americanos, europeus, asiáticos, somos iguais, então, você nunca estará sozinho em nenhum lugar do mundo!

O mundo é muito pequeno!

Uma grande família!

Somos apenas Um!

Abraços em todos!

Michelle Glória

Ilha de Moçambique

A brisa suave que corre nas ruas da Ilha de Moçambique tornam-a aprazível. O melhor para desfrutar a ilha é perambular pelas ruas, apreciando suas ruínas e interagindo com os residentes. Meus dois dias de estadia foram super agradáveis. Conversei com as pessoas. Brinquei com as crianças. Fotografei. Fotografar pessoas é uma excelente forma de sociabilidade. A maioria dos moçambicanos adoraram posar para as minhas lentes. As crianças divertiram-se à beça. Depois das primeiras fotos, quando elas se viram no LCD da câmera, pediam para serem fotografadas sem parar. Mil caras e caretas. Algumas vezes, infelizmente, elas pediram dinheiro. Para driblar isto, a forma que eu encontrei foi dar a câmera nas mãos das crianças, para que elas me fotografassem. Pronto! Daí, foram milhares de cliques sem fim… E esqueceram do dinheiro. Fotografar virou uma lúdica brincadeira de infância. Para mim, também! Na ilha, há poucos fotógrafos que fazem o retrato da população, mas por algumas dezenas de meticais (dinheiro local) e com máquinas compactas de filme. A loja de revelação dista 400 Km, o que encarece e dificulta o processo. Percebi que a maioria dos locais não possuem um retrato para compor seu álbum de família. Gravei fotos num CD e entreguei para algumas das pessoas fotografadas. Pelo menos, elas poderão imprimir algum dia. Despedi-me da Ilha de Moçambique com vontade de voltar e fazer uma documentação fotográfica, tanto para eles como para mim. Foi um prazer enorme fotografá-los. Super receptivos e simpáticos.
Obrigada Ilha!

Onde ficar: Ruby Backpacker, ruby@themozambiqueisland.com

Pemba

Pemba, norte de Moçambique. Um esforço físico e financeiro chegar até o norte de Moçambique.

Saí de Vilanculos, no centro do país. Peguei uma boléia até um cruzamento na estrada. Lá um ônibus até Beira, onde pernoitei. Um dia inteiro de viagem. Ufa… No dia seguinte cedinho, um voo até Pemba.

Difícil viajar, de forma independente, em Moçambique. Não há transporte disponível e itinerários interligados. Queria conhecer do sul ao norte os pontos principais do país. A Ilha de Moçambique está aqui. Então, eu vim!

Onde ficar: http://www.pembadivecamp.com

Moçambique

Praia do Tofo.

O pôr-do-sol nos lugares por onde andei na África Austral é, sem dúvida, um espetáculo único.

A bola intensa de fogo, os vários matizes de vermelhos, púrpuras, azuis que pincelam o céu quando o sol se põe é uma peculiaridade especial desta ponta do continente.

Nossos olhos são sempre atraídos para apreciar este presente da natureza. É sempre um êxtase e deleite para o espírito. Em Moçambique não é diferente.

Moçambique é o último país que gostaria de conhecer antes de me despedir da África. Embora não seja fácil viajar de forma independente por aqui (o transporte é precaríssimo), valeu a pena ter vindo conhecer um país africano de língua portuguesa. Irmão do Brasil. Sinto-me no nordeste brasileiro. Os moçambicanos são muito simpáticos, gentis e prestativos. Esta é a impressão dos africanos que levo para a casa, especialmente da Tanzânia e Moçambique, nosso irmão de berço da língua e raízes.

Um semana antes de viajarmos, estourou uma greve geral no país. O governo anunciou aumento de água e luz. A população saiu às ruas para protestar. Houve saques e confronto com a polícia. O governo recuou no aumento e a situação no país se acalmou. Felizmente, podemos manter nossos planos da viagem.

Comecei a viagem por Maputo, capital do país. Passei lá um dia. Nada de especial, mas é a porta de entrada para as praias do sul, os principais destinos turísticos do país: a praia do Tofo e o arquipélago de Bazaruto.

O principal meio de transporte é a chapa (van) ou ônibus particulares, caindo aos pedaços. De fato, os veículos são velhos e estão bem deteriorados. Viajamos que nem sardinhas em lata (risos). No ônibus de Maputo para a praia do Tofo, até no corredor há pessoas sentadas, a bagagem vai debaixo da cadeira, junto aos pés. Ou seja, você não consegue nem se mexer. Esta é a triste realidade de um país pobre, que atravessou 26 anos de guerra, de 1964 até 1991, 10 anos de luta pela independência de Portugal e 16 anos de luta interna após a libertação.

A praia do Tofo é ideal para passar de 2 a 3 dias, relaxar. Praticar windsurf (os ventos são fortes por aqui). Descansar um pouco. E tomar fôlego antes de encarar a chapa novamente e seguir viagem para o próximo destino: Vilanculos, vila costeira de onde saem os barcos para o arquipélago de Bazaruto.

É cansativo viajar de chapa, mas vale a interação com os moçambicanos e a experiência antropológica de conhecer um pouco mais de perto a realidade das condições de vida da população. Lógico que gosto de conforto, mas vir para a África e não conhecer um pouco desta realidade e não interagir com os locais seria como ir a qualquer praia no mundo.

Apesar de o país não estar preparado para o turismo independente, mas sim para o turismo de luxo, recomendo a visita. A experiência, principalmente para nós brasileiros, é muito rica.

Arquipélago de Bazaruto.

Arquipélago de Bazaruto.

Onde ficar:

http://www.mozambiquebackpackers.com (Maputo e Tofo)

http://www.zombiecucumber.com (Vilanculos)

De avião:

http://www.lam.co.mz

http://www.1time.co.za