Chegada em Pune, Índia

Após 30 horas de viagem, finalmente cheguei no Osho Meditation Resort em Pune, Índia. Cerca de 25 horas de voo Rio de Janeiro-Paris-Mombai e 5 horas de estrada Mombai-Pune.

Cheguei na quarta-feira 23 de março de manhã. Estava tão cansada. Não dormi no trajeto. Acordada há 30 horas, desmaiei na cama. Dormi o dia inteiro. Acordei à noite. Pulei da cama com a excitação da primeira vez e fui conferir o lugar.

Para a minha grata surpresa, estava acontecendo uma festa no Plaza Café. Mesas e cadeiras ao ar livre. Pessoas dançando livremente ao sabor da melodia. Gostei da vibração. Um gosto de liberdade no ar.

Em poucos minutos, já estava na pista de dança. Livre, leve e solta. Dançando, flutuando, movimentando meu corpo, fluindo com o ressoar dos acordes na minha alma. Movimentos livres, não-formatados, não-apreensivos com o olhar julgador do outro. Apenas eu e a música ali presentes. Nada mais existia. Completamente absorta no aqui e agora, senti a completude do meu Ser. Uma sensação de felicidade brotou de dentro, das entranhas. Reminicências registradas no meu corpo do prazer imensurável de dançar livremente expressando o meu Ser. Regozijei-me.

Dançar, girar, piruetar, por toda a pista de dança, cabeça para um lado, cabelos para o outro, braços pra cima, pra baixo, ventre e tronco hipnotizados, sincronizados,  dissolvidos no tom musical… Pura meditação.

Ego diluído e o Ser vivo.

Completamente Vivo.

Vitalidade pura. Extasiante.

Inebriante.

Gozo.

Foi amor à primeira vista. Esta noite lembrou-me as festas na casa da Martinha em Brasília. Eu, Paulo André, Araci, Loise e outros amigos pulando, rolando no tapete do chão, dançando performaticamente como expressão do Ser. Da alma. Bons tempos. Saudades… Tempos de liberdade, não-julgamento, não-competição, não-máscaras. Apenas adulto-crianças expressando-se de forma livre e despretensiosa, celebrando a Vida.

Osho é celebração da Vida.

É só isto, ou melhor, é isto tudo. O que Osho quer, na verdade, deseja para nós é: descubra o prazer inesgotável de Ser, do Ser, da Existência. Viva. Sinta. Delicie-se simplesmente em Ser. Permita-se. Goze com a totalidade em Ser.

Já havia lido alguns livros do Osho. Seus pensamentos sempre impactantes e dilacerantes para  mim. Há 15 anos atrás estive na comunidade “Osho Lua” na Chapada dos Veadeiros em Brasília. Era carnaval. Um amigo convidou-me para um carnaval diferente em contato com a natureza numa fazenda na Chapada dos Veadeiros. Falou-me que era um lugar de meditação, mas que eu não precisava participar das atividades e sim tão somente fazer trekking e desfrutar das cachoeiras. Eu topei.

Chegar no Osho Lua foi uma surpresa. Deixamos os carros na estrada no meio do nada. Uma Toyota veio nos buscar. Longa viagem balançando no 4×4 em direção ao coração da Chapada. Depois pegamos um bote. E por fim uma trilha até chegar na comunidade. Outra surpresa. Uma mulher nos recepcionou falando inglês. Pensei: “Onde estou?!… No Brasil?!… Alguém falando inglês no interior do cerrado!?… Uau…”. Fiquei estupefata.

Osho Lua é um lugar indescritível. Senti-me dentro de um filme. Fazendo parte de uma ficção. Não podia ser real. Um lugar lindo. Plácido. De natureza exuberante e virgem no coração da Chapada dos Veadeiros.

Naquele momento, não participei das meditações. Esbaldei-me nos banhos de cachoeiras, rio, extasiei-me com a natureza viva, deliciei-me com a comida vegetariana. Foi a primeira vez que ouvi falar de Osho. Na época, me perguntei: “Osho?! O que é isto?” (risos).

Quinze anos depois estou aqui no Osho Meditation Resort (antigo Osho Ashram) iniciando-me na meditação. Outra grata descoberta. Suas meditações são um presente para nós homens ocidentais, de vida acelerada, competitiva, repleta de códigos sociais, que machucam e aprisionam o Ser.

Eu não sou uma massa. Eu sou única.

“Não comparação. Não competição. Não sucesso. Não superioridade. Não papéis. Nós somos únicos. O novo homem é auto-realização. O novo homem é espontaneidade” (Pensamentos do Osho).

Na internet: http://www.osho.com

Ukonwaba Photo Club

Ukonwaba Photo Club é o projeto que eu desenvolvi com adolescentes e câmeras fotográficas na township Langa na Cidade do Cabo, África do Sul. Fruto da parceria com Frida Vesterberg, gerente e co-fundadora da Fundação Projeto Playground.

http://www.project-playground.org/

Durante sete semanas, tive o prazer de ensinar fotografia, minha paixão, e vivenciar a inocência e vitalidade dos meus alunos adolescentes e crianças participantes das demais atividades da Fundação Projeto Playground.

Acredito no potencial transformador da fotografia. Vejo a câmera fotográfica como um instrumento lúdico de auto-expressão e, também, de interação social. A produção de imagens pelos adolescentes de si mesmos, do espaço e comunidade onde vivem é uma ferramenta colaboradora na construção de autoconfiança e autoimagem.

Espero que através dessa caixinha de surpresas, que é a câmera fotográfica, as crianças descubram o enorme potencial criativo que existe dentro delas e vivenciem a adolescência com confiança e esperança no futuro.

Townships são cidades na periferia da Cidade do Cabo, onde os negros foram obrigados a residir na época do apartheid social . Langa é a mais antiga township. Criada em 1923.

Durante o regime do apartheid, os negros eram proibidos de circular no centro e bairros da orla da Cidade do Cabo, exclusivos aos brancos. Ao fim de um dia de trabalho, tinham de retornar imediatamente às suas residências nas townships.

Apesar do fim do apartheid social em 1994 com a eleição do ex-presidente Nelson Mandela, a desigualdade social entre negros e brancos salta aos olhos. O que desfavorece o fim da animosidade ainda existente entre negros e brancos, resquício do regime ultra-opressor. O sistema de cotas sul-africano para inserção dos negros no mercado de trabalho, ainda, não foi capaz de reverter esse quadro de desigualdade social, o qual, também, contribui para a não-valorização da cultura negra sul-africana. Sem dúvida, a Copa do Mundo foi um grande evento que resgatou um sentimento de nação e unidade entre sul-africanos negros e brancos.

Faço este preâmbulo para dar ao leitor uma breve noção do pano de fundo que me motivou a fundar Ukonwaba Photo Club. Além de colaborar na construção de um olhar próprio de si mesmos, através da produção da autoimagem, Ukonwaba pretende também contribuir como um elo de ligação de amor e paz entre negros e brancos sul-africanos.

Escrevo do lugar de uma viajante com olhar antropológico e sensível às questões afetas à humanidade. Esta experiência com as crianças, adolescentes e adultos de Langa Township e Project Playground foi profundamente humana. Dei muito amor e recebi muito amor. Para mim, trabalho voluntário trata-se disso: troca humana.

Foi trabalhoso. Claro! Mas não tem preço ver o sorriso e o brilho do olhar de uma criança.

O que eu desejo para as crianças e adolescentes de Langa é: SER FELIZ.

UKONWABA significa, na língua sul-africana xhosa, SER FELIZ.

O que me deixa hoje muito contente é saber que o projeto continuará.

Siseko é o novo professor do UKONWABA PHOTO CLUB, o qual foi contratado pelo PROJETO PLAYGROUND.

Maravilhoso!

http://ukonwaba-photoclub.blogspot.com.br

Pausa

Olá amigos, colegas e leitores!

Agradeço muitíssimo todos por terem me acompanhado até aqui!

Agradeço muitíssimo os comentários postados. Para mim, esta é a melhor parte do blog: a possibilidade de compartilhar e trocar.

Trocar experiências, vivências, sensações. Aprendi, emocionei-me, dei gargalhadas, fiquei feliz… com os comentários de vocês. Muito obrigada pelo carinho e atenção!

Ainda não voltarei para o Brasil. Estou na África do Sul e ficarei por aqui mais alguns meses. Farei uma pausa no blog por uns meses para me dedicar, integralmente, ao projeto de fotografia que desenvolverei em Langa township com as crianças. Terei muito trabalho pela frente, mas estou empolgadíssima com esta oportunidade. Ensinar a minha paixão e estar com crianças! É, realmente, maravilhoso!

No próximo ano, em 2011, pretendo viajar para a Ásia. Não sei se retomarei o blog. Quero me dedicar ao livro sobre esta viagem, que começou lá no Caminho de Santiago. Quero escrever sobre a minha busca de autoconhecimento e espiritualidade. Cada acontecimento, cada pessoa que encontrei, cada palavra sábia e amiga foram e estão sendo importantes nesta trajetória. Preciso e quero compartilhar com o mundo os presentes da Vida que venho recebendo. Divinas oportunidades de aprendizagem, crescimento e descoberta. Duras e doces descobertas…

A África foi uma grata descoberta. Sua hospitalidade, sua simpatia, sua espontaneidade, seus generosos e largos sorrisos… Sua humanidade me encantaram. Quero voltar e mergulhar mais nos encantos do seu grande coração. Salve Mama África!!

Por último, gostaria de dizer que muitos me chamam de corajosa por botar uma mochila nas costas e sair sozinha por aí… mundo afora. Muitos me perguntam: “De onde vem essa coragem?…“. A resposta é:

Eu, simplesmente, acredito no ser humano.

Acredito no sentimento universal de humanidade que cada um de nós sentimos em nossos corações. Esta é a origem da minha coragem. Tenho a crença de que sempre encontrarei na minha jornada o melhor do ser humano. Se você respeita o próximo, respeita a diversidade e compreende que todos nós, brasileiros, africanos, americanos, europeus, asiáticos, somos iguais, então, você nunca estará sozinho em nenhum lugar do mundo!

O mundo é muito pequeno!

Uma grande família!

Somos apenas Um!

Abraços em todos!

Michelle Glória

Ilha de Moçambique

A brisa suave que corre nas ruas da Ilha de Moçambique tornam-a aprazível. O melhor para desfrutar a ilha é perambular pelas ruas, apreciando suas ruínas e interagindo com os residentes. Meus dois dias de estadia foram super agradáveis. Conversei com as pessoas. Brinquei com as crianças. Fotografei. Fotografar pessoas é uma excelente forma de sociabilidade. A maioria dos moçambicanos adoraram posar para as minhas lentes. As crianças divertiram-se à beça. Depois das primeiras fotos, quando elas se viram no LCD da câmera, pediam para serem fotografadas sem parar. Mil caras e caretas. Algumas vezes, infelizmente, elas pediram dinheiro. Para driblar isto, a forma que eu encontrei foi dar a câmera nas mãos das crianças, para que elas me fotografassem. Pronto! Daí, foram milhares de cliques sem fim… E esqueceram do dinheiro. Fotografar virou uma lúdica brincadeira de infância. Para mim, também! Na ilha, há poucos fotógrafos que fazem o retrato da população, mas por algumas dezenas de meticais (dinheiro local) e com máquinas compactas de filme. A loja de revelação dista 400 Km, o que encarece e dificulta o processo. Percebi que a maioria dos locais não possuem um retrato para compor seu álbum de família. Gravei fotos num CD e entreguei para algumas das pessoas fotografadas. Pelo menos, elas poderão imprimir algum dia. Despedi-me da Ilha de Moçambique com vontade de voltar e fazer uma documentação fotográfica, tanto para eles como para mim. Foi um prazer enorme fotografá-los. Super receptivos e simpáticos.
Obrigada Ilha!

Onde ficar: Ruby Backpacker, ruby@themozambiqueisland.com

Pemba

Pemba, norte de Moçambique. Um esforço físico e financeiro chegar até o norte de Moçambique.

Saí de Vilanculos, no centro do país. Peguei uma boléia até um cruzamento na estrada. Lá um ônibus até Beira, onde pernoitei. Um dia inteiro de viagem. Ufa… No dia seguinte cedinho, um voo até Pemba.

Difícil viajar, de forma independente, em Moçambique. Não há transporte disponível e itinerários interligados. Queria conhecer do sul ao norte os pontos principais do país. A Ilha de Moçambique está aqui. Então, eu vim!

Onde ficar: http://www.pembadivecamp.com

Moçambique

Praia do Tofo.

O pôr-do-sol nos lugares por onde andei na África Austral é, sem dúvida, um espetáculo único.

A bola intensa de fogo, os vários matizes de vermelhos, púrpuras, azuis que pincelam o céu quando o sol se põe é uma peculiaridade especial desta ponta do continente.

Nossos olhos são sempre atraídos para apreciar este presente da natureza. É sempre um êxtase e deleite para o espírito. Em Moçambique não é diferente.

Moçambique é o último país que gostaria de conhecer antes de me despedir da África. Embora não seja fácil viajar de forma independente por aqui (o transporte é precaríssimo), valeu a pena ter vindo conhecer um país africano de língua portuguesa. Irmão do Brasil. Sinto-me no nordeste brasileiro. Os moçambicanos são muito simpáticos, gentis e prestativos. Esta é a impressão dos africanos que levo para a casa, especialmente da Tanzânia e Moçambique, nosso irmão de berço da língua e raízes.

Um semana antes de viajarmos, estourou uma greve geral no país. O governo anunciou aumento de água e luz. A população saiu às ruas para protestar. Houve saques e confronto com a polícia. O governo recuou no aumento e a situação no país se acalmou. Felizmente, podemos manter nossos planos da viagem.

Comecei a viagem por Maputo, capital do país. Passei lá um dia. Nada de especial, mas é a porta de entrada para as praias do sul, os principais destinos turísticos do país: a praia do Tofo e o arquipélago de Bazaruto.

O principal meio de transporte é a chapa (van) ou ônibus particulares, caindo aos pedaços. De fato, os veículos são velhos e estão bem deteriorados. Viajamos que nem sardinhas em lata (risos). No ônibus de Maputo para a praia do Tofo, até no corredor há pessoas sentadas, a bagagem vai debaixo da cadeira, junto aos pés. Ou seja, você não consegue nem se mexer. Esta é a triste realidade de um país pobre, que atravessou 26 anos de guerra, de 1964 até 1991, 10 anos de luta pela independência de Portugal e 16 anos de luta interna após a libertação.

A praia do Tofo é ideal para passar de 2 a 3 dias, relaxar. Praticar windsurf (os ventos são fortes por aqui). Descansar um pouco. E tomar fôlego antes de encarar a chapa novamente e seguir viagem para o próximo destino: Vilanculos, vila costeira de onde saem os barcos para o arquipélago de Bazaruto.

É cansativo viajar de chapa, mas vale a interação com os moçambicanos e a experiência antropológica de conhecer um pouco mais de perto a realidade das condições de vida da população. Lógico que gosto de conforto, mas vir para a África e não conhecer um pouco desta realidade e não interagir com os locais seria como ir a qualquer praia no mundo.

Apesar de o país não estar preparado para o turismo independente, mas sim para o turismo de luxo, recomendo a visita. A experiência, principalmente para nós brasileiros, é muito rica.

Arquipélago de Bazaruto.

Arquipélago de Bazaruto.

Onde ficar:

http://www.mozambiquebackpackers.com (Maputo e Tofo)

http://www.zombiecucumber.com (Vilanculos)

De avião:

http://www.lam.co.mz

http://www.1time.co.za

Crianças de Khayelitsha Township

É a segunda vez que visito as townships da Cidade do Cabo, desde que cheguei em março.

Na primeira vez, a recepção das crianças me marcou. Todas pulando no meu pescoço, querendo brincar, me puxando pelas mãos, querendo posar para as minhas lentes, fazendo caras e caretas, radiantes de alegria ao ver as fotos, querendo mais e mais fotos, como um brinquedo. Escrevi um relato neste blog sobre este especial encontro.

Vim para Cidade do Cabo pensando em desenvolver um projeto de fotografia com crianças. Não fiz antes por não ter muita certeza se deveria fazê-lo, por ainda estar aprendendo inglês, por falta de tempo. Ao longo do último mês, amadureci a ideia. E dei os primeiros passos, sondando o terreno. Umuzi Photo Club, projeto desenvolvido em Soweto, em Joanesburgo, interessou-se em apoiar o projeto aqui nos arredores da Cidade do Cabo.

Após duas tentativas frustradas de voltar às townships, ontem, finalmente, consegui. O acesso não é fácil. Ir sozinha de trem ou van não é seguro. Táxi é muito caro. Acabei contratando um tour. Fomos eu e Jenny, uma sul-africana branca, que desde 2003 vem frequentando Khayelitsha. Foi adotada por uma família negra e agora trabalha levando turistas para conhecer o outro lado da cidade.

Fomos ao Centro Cultural de Langa e a uma escola religiosa em Khayelitsa, que se interessaram pelo projeto. Não consegui visitar as escolas públicas, os professores estavam de greve. Gostei da possibilidade de desenvolver o projeto no Centro Cultural de Langa. Quanto à escola religiosa, não gostaria de vincular o projeto a instituições religiosas.

Nos próximos dias, saberei se acontecerá ou não o projeto. Quero que as coisas acontecem naturalmente, espontaneamente. Só tenho mais uma semana aqui na Cidade do Cabo. Estou de viagem marcada com uma amiga para Moçambique. Só voltarei se for para desenvolver o projeto. Senão, depois de Mocambique, me despedirei da África.

Sempre tive um sentimento em relação à África de quando viesse para cá faria trabalho voluntário. Sem dúvida de que o Brasil precisa muito de ações sociais. Mas este sempre foi um sentimento em relação ao continente africano. Estou seguindo minha intuição.

Aqui, na África do Sul, descobri que o trabalho de fotografia seria minha contribuição para a África.

O fim do apartheid social é muito recente, apenas 16 anos. A cidade é ainda muito polarizada entre dois mundos, entre brancos e negros. Penso que ainda há muito a se fazer para promover a união entre esses dois mundos, contribuir para o respeito às diferenças, a diminuição do preconceito – o qual muitas vezes é recíproco. O que é compreensível, se lermos a realidade sob os olhos de Paulo Freire. A dualidade do opressor e oprimido.

Não sou negra. Sou branca, parda… Então, para alguns, esta não seria minha questão?!

Discordo. É uma questão humanitária.

Realmente, ainda não sei se acontecerá. Se não for agora, talvez num outro momento… Como estou numa fase de fluidez, na linguagem dos sinais, surfando… quero que a vida se faça por si mesma.

Um coisa eu sei.

Estas crianças me encantam.

Como ir: http://www.nomvuyos-tours.co.za/

Flores de latão. Transformando sucata em beleza. Uma paradinha no meio do tour.

Meu aniversário

Dia 24 de agosto foi meu aniversário. Apenas 36 aninhos!! 

Agora, de fato, me sinto uma balzaquiana. Estou mais para os 40s do que para os 30s… ai… ai… ai…  risos.

Curti meu aniversário by myself. Isto é, sozinha.

Leitores, não quero tirar onda, nem sou daqueles brasileiros que só valorizam o estrangeiro relegando a nossa língua e cultura. Mal sei Inglês bem. Ainda estou aprendendo. Ainda não tenho fluência. E, agora, mal sei Português também. Misturo tudo! (risos) Vez e outra me pego falando “about” no lugar de “sobre”. É muito engraçado. Uma miscelânea linguística.

Well…risos, curti meu aniversário sozinha. De manhã, fui à escola de inglês, que eu adoro. Adoro minhas professoras, meus colegas de classe. As aulas são realmente proveitosas (aprendo bastante) e divertidas. Quando não vou à escola por algum motivo, sinto falta do ambiente da sala de aula. De tarde, tomei coragem e fui ao salão de beleza!! Há 6 meses não botava meus pés num salão. Uma mulher, de fato, não pode viver sem isto! Não somos nada sem um salão de beleza! (risos) Fiz o pé, a mão. Depilei as pernas. Que alívio!! Outra mulher!!!

Depois, lá por umas 5 da tarde, tomei um expresso by myself (risos). Curto tomar um expresso sozinha, sentar num café com um olhar distante e pensativo. A mente?! Trabalhando, trabalhando… Sem parar.

Adoro as pessoas, adoro o ser humano, a humanidade, mas adoro também estar sozinha, tirar um tempo só para mim. Preciso disto. Preciso disto para me equilibrar. Sentir eu mesma. Acho que todos nós precisamos de um tempo só nosso, né?

Esqueci de contar. No almoço, preparei minha comida. É verdade! Tudo bem que comprei o frango assado no supermercado, mas eu preparei a mesa! Para mim, isto é uma façanha! (risos) Arrumei a salada com alface e tomate numa travessa de porcelana. Coloquei o frango em outra travessa. Pão ciabatta para acompanhar. Azeite e sal. Perfeito! Um banquete. Ah! E claro! Vinho! Comprei Shiraz em homenagem à Natasa, que adora esta uva, e à memória do “Meu Lar Doce Lar” na Arthur’s Road 23. Convidei Bianca para almoçar comigo. Não contei para ela que era meu aniversário. Bianca é a minha baby sister (risos). Ela foi a baby sister do casal que alugava o apartamento antes de mim. Eles partiram antes do fim do contrato de aluguel. Eu apenas estou cobrindo o último mês do contrato. O casal pediu à proprietária deixar a Bianca morar lá até o fim do contrato. A proprietária concordou e Bianca está lá comigo, morando no quarto de empregada. Bianca é da paz. Gente boa. Gosto da energia dela.

De noite, fiquei em casa, bebi o resto da garrafa de vinho do almoço ao som de Tim Maia, Marisa Montes e Maria Rita. Foi the best. Muito bom mesmo… Really! Lá por umas dez da noite, fui para cama. Dormi um sono sereno… tranquilo… feliz. 🙂

Na verdade, na verdade… claro que eu curto estar sozinha, curto muito… mesmo!

Mas eu curto muito muito muito festa!

Celebrar!!

Eu estava gripada e não podia ir para a rua, tinha de descansar e recuperar as energias.

Eu poderia fazer uma festinha lá em casa. Não seria um problema para minha gripe, mas o fato é que depois do jantar “inocente” (risos) lá em casa com alguns amigos, a proprietária me ligou enfurecida, querendo me expulsar no dia seguinte do apartamento, por causa do barulho…actually, da nossa alegria!! Os vizinhos, em sua maioria na casa dos 60 anos, reclamaram a lot…!! Agora estou pianinho…quietinha… Infelizmente… humm 😦

Eu adoro ficar sozinha, mas não dispenso uma festa!! Quem me conhece, sabe. Comemoro meu aniversário durante o mês inteiro.

Mas foi bom. Um aniversário diferente. Reflexivo e também feliz.

A vida é assim. Feita de momentos. Um diferente do outro.

O importante é estar inteira em cada momento.

Isso é viver.

Agradeço os amigos pelas mensagens no Facebook, pelo carinho, que é uma manifestação de amor.

Isso é vida!

Amar

Amor…

Amar ! !

A vida, a humanidade não faz sentido sem amor!

Um beijo e um abraço apertado em todos vocês, pessoas queridas que dão sentido à minha existência.

Grata!

Michelle

Agora, querendo ser Glória! me transmutar em Glória!

Beijo e abraços!

Glória!

risos…

Ps: Durante 35 anos eu fui chamada de Michelle, não que eu não goste da Michelle, que eu não goste da minha história, da minha vida anterior, mas quero mudar algumas coisas, me libertar… E agora… nos meus próximos anos de vida, gostaria de ser chamada de Glória! Como um renascimento. Mudar de nome é simbólico. Um marco. Divisor de águas. Uma nova sonoridade. Gosto dos acordes da Glória.

Assinado Glória!!

By Glória!! 🙂

Ilha Robben

Placa na entrada da ilha. Foto-registro do dia da libertação dos presos políticos.

Programa obrigatório para conhecer um pouco da história da África da Sul é visitar a ilha Robben, onde Nelson Mandela ficou preso por mais de 20 anos, de 1964 a 1982.

A ilha foi transformada em museu e símbolo da luta contra o apartheid social.

“Nós queremos que a ilha Robben represente o triunfo da liberdade e dignidade humana sobre a opressão e humilhação”, frase do Ahmed Kathrada, prisioneiro de n. 468/1964 – foto acima.

A ilha Robben dista trinta minutos da costa da Cidade do Cabo. A travessia é feita em um confortável ferryboat. Ancorando-se na ilha, entra-se num ônibus, quando começa o tour. A visita é guiada por ex-prisioneiros políticos da ilha, que contam estórias da época do apartheid.

Cela onde Mandela ficou preso por 27 anos.

O ônibus circula mostrando alguns pontos históricos, como a vila dos oficiais, o cemitério dos leprosos. O ponto esperado é a visita aos pátios da prisão de segurança máxima, onde está a minúscula cela de Nelson Mandela. Hoje, reformada.

A discriminação e segregação social, também, ocorriam dentro da prisão. Os presos recebiam tratamento diferenciado em função da cor da pele. A refeição diária dos negros (bantus), por exemplo, era menor do que a dos presos de pele morena (coloured).

Em razão da pressão internacional para o fim do apartheid social, Nelson Mandela e outros prisioneiros políticos foram transferidos em 1982 da ilha Robben para a prisão Pollsmoor na costa. Em 1988, Nelson Mandela foi transferido para fora da Cidade do Cabo. Em 11 de fevereiro de 1990, Nelson Mandela foi declarado homem livre. Fato histórico que marca o início do fim do sistema de apartheid social, o qual findou em 27 de abril de 1994 com as primeiras eleições democráticas, quando Nelson Mandela foi eleito presidente da África do Sul.

Quadro demonstrando a refeição diferenciada entre negros e morenos (coloured).