Meu bairro

Exposição coletiva de jovens fotógrafos, entre 12 e 17 anos, que ao longo do ano de 2008 fotografaram o dia-a-dia de seu bairro, buscando desvelar a singularidade do cotidiano das comunidades populares Largo do Machadinho e Pedreira, no município de Teresópolis, estado do Rio de Janeiro. Exibida na Casa de Cultura de Teresópolis em setembro de 2009. As lentes dos adolescentes nos brindam com sorrisos espontâneos e generosos dos moradores do bairro, protagonistas deste discurso visual que nos revela a felicidade na simplicidade, descortinando um pouco da vida comunitária, alegre e solidária. Seus olhares presenteiam-nos, também, com belas imagens de paisagens, uma homenagem à beleza natural de Teresópolis.
A exposição é fruto do projeto de inclusão visual desenvolvido durante o trabalho de campo da minha pesquisa de mestrado, cuja dissertação intitula-se “Sociedade de Consumo a partir da Fotografia Participativa: olhares da adolescência das comunidades populares Largo do Machadinho e Pedreira, Granja Guarani, Teresópolis, RJ”, defendida em 2008 no Programa de Pós-Graduação em Psissociologia de Comunidades e Ecologia Social – Programa EICOS, do Instituto de Psicologia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Meu bairro pretende contribuir para a construção de uma representação social positiva dos moradores de comunidades populares, propondo um novo diálogo com a sociedade local, mediado pela fotografia, em prol de um mundo sem exclusão e com respeito às diferenças.
Organizadora – Michelle Glória – Pesquisadora-fotógrafa
Jovens Fotógrafos – Dudu Rivera – Flávia Alves – Gabriela Pires – Iago de Souza – Karina Neves – Nayara Jesus – Patrick Neves – Rafael Siqueira – Tatiana Souza – Thaís Cardoso
Dissertação de mestrado: 

Cavaleiros da Fé

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Esta exposição traz fragmentos de minhas andanças com o mestre Walter Firmo, humanista apaixonado pelo povo brasileiro, durante o curso Criatividade na Cor em 2006, quando fui sua aluna e tive o prazer de acompanhá-lo em sua busca incessante por retratar a Fé, a devoção do brasileiro.

As imagens foram feitas na procissão de Páscoa, em Ouro Preto, Minas Gerais, e na Cavalhada, na Festa do Divino Espírito Santo, em Pirenópolis, Goiás.

Breves registros que procuram simbolizar a Fé imponente do brasileiro. Povo que crê, persevera, tem Fé em Deus e, sobretudo, Fé na Vida. Povo que inventa e se reinventa através da arte, do transcendente, da confiança na força divina, que vem do Céu e brota de dentro. Povo sofrido e lutador que anda com Fé, com seus anjos protetores, lado a lado, suavizando os caminhos da vida, orientando sua trajetória.

As fotografias foram versadas por Néria de Souza, convidando o espectador a flanar por uma rítmica poética-imagética. Mostra integrante do FotoRio2009.

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Postes Humanos

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Um discurso visual sobre as eleições no Brasil em 2006.
Ensaio fotográfico que busca levantar a reflexão sobre a influência excessiva do poder econômico e do marketing no processo eleitoral brasileiro.
O que decide as eleições: o enfrentamento das ideias ou o fetiche da publicidade eleitoral movida pela força do poderio econômico?
É também uma crítica ao trabalho subumano dos seguradores de placa e à contradição dessa situação. O mesmo político, que promete ao povo, na TV, cidadania, melhoria de qualidade de vida, desrespeita sua dignidade nas ruas, submetendo-o a um trabalho precário em troca de uns míseros trocados.
Os seguradores de placa surgiram aos milhares no cenário urbano nas eleições 2006, em virtude da mini-reforma eleitoral (Lei n.º 11.300/2006), que proibiu a propaganda eleitoral em outdoors e postes públicos, com o intuito de diminuir o custo das eleições brasileiras e minimizar a poluição visual. Os postes humanos foram o “jeitinho” encontrado pelos políticos para continuarem fazendo a mesma publicidade que se veiculava em outdoors e postes de iluminação pública.
Mostra itinerante, com curadoria de Walter Firmo, Postes Humanos foram expostos, individualmente, em dezembro de 2006, na Galeria Vitrine ECO/UFRJ, e, em conjunto com a exposição Eleições em Foco, do acervo da Galeria, em maio de 2007. Participou do FotoRio 2007, sendo exibida no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro – IFCS/UFRJ.
Repercussão na mídia:
Folha Carioca, setembro 2008. Capa.
PSOL, Lideranças do Psol, site, “Exposição fotográfica questiona o marketing nas eleições”, novembro 2007.
Revista Agito Rio, agosto 2007. Ensaio fotográfico, páginas 14 e 15.
Revista Agito
Revista Agito
Revista Agito
LEGIS – jornal do Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo Federal e do Tribunal de Contas da União, página 16, junho 2007.

UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro, site, “Poesia, Fotografia, Grafite e Críticas Sociais na ECO”, 1 de junho de 2007.

UNIÃO – Informativo do Tribunal de Contas da União, páginas 5 e 6, 1 de junho de 2007.
Rádio CBN, A voz do cidadão, 17 de maio de 2007.
A Voz do Cidadão, site, editorial Agenda da Cidadania, 17 de maio de 2007.
MCCE – Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, site, “Arte como meio para a Crítica Política”, 14 de maio de 2007.
UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro, site, “ECO recebe fotógrafos para Debate”, 27 de abril de 2007.
UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro, site, “A Política através das lentes da Fotografia”, 24 de abril de 2007.
ECO – Escola de Comunicação da UFRJ, site, “Exposição “Doze Anos Depois…” na Galeria Vitrine da ECO”, abril de 2007.
SINDILEGIS – Sindicato dos Servidores do Legislativo Federal e Tribunal de Contas da União, site,“Servidora do TCU apresenta exposição fotográfica”, 17 de abril de 2007.
UNIÃO – Informativo do Tribunal de Contas da União, página 2, 16 de abril de 2007.
AUDITAR, Associação dos Auditores Federais de Controle Externo, site, “Associada da Auditar convida para sua exposição fotográfica: Postes Humanos”, 13 de abril de 2007.
ANPT, Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho, site, “Postes Humanos”, 12 de março de 2007.
Revista Programa Jornal do Brasil. Exposições, página 35, de 1 a 7 de dezembro de 2006.
UNIÃO – Informativo do Tribunal de Contas da União, páginas 5 e 6, 1 de dezembro de 2006.

Trekking no Aconcágua

Publicação no Jornal do Brasil online.

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Trekking no Aconcágua

Topo das Américas

Não é preciso ser alpinista profissional para percorrer os caminhos que levam ao ponto mais alto do continente. Confira uma aventura pelo Aconcágua a uma altitude suportável para iniciantes. 

Michelle Glória* 

Publicado no Jornal do Brasil de 20 de setembro de 2006.

Fôlego extra na subida

ACONCÁGUA: Trekking em três, sete ou 20 dias leva desde montanhistas iniciantes até mais experientes a desvendarem a imponente montanha sul-americana, encravada entre Chile e Argentina

ACONCÁGUA – ARGENTINA. Para quem almeja um dia chegar ao teto do mundo, o Everest, um bom treino é subir o Aconcágua, o topo das Américas, com 6.962 metros, do ladinho de casa. Aliás, verdade seja dita, chamar de treinamento a ascensão ao topo do continente é eufemismo. A subida até o cume do Aconcágua é árdua e extenuante. Além de um bom condicionamento físico, requer experiência no esporte. Mas para aqueles menos experts, o trekking abaixo de 5 mil metros é uma boa pedida para conhecer um pouco da realidade de alta montanha.

A porta de entrada ao Aconcágua é Mendoza, na Argentina, a 1.099 km de Buenos Aires e 402 km de Santiago do Chile. O Parque Aconcágua encontra-se a 180 km a oeste de Mendoza. Em duas horas de viagem serpenteando as encostas das belas formações rochosas dos Andes, chega-se à entrada do parque, na Laguna Horcones.

Em dia ensolarado e sem nuvens no topo, avista-se todo o contorno do Aconcágua. Mesmo de longe, é possível sentir a imponência da montanha e imaginar as dificuldades que os andinistas superam ao driblar a força da natureza para alcançar o cume. A oferta de operadores que fazem o trajeto Mendoza-Aconcágua é vasta.

Uma opção para conhecer a região sem fazer o trekking é o passeio Alta Montanha, de um dia. O tour inclui visita ao Valle de Uspallata, onde foi filmado Sete anos no Tibet, a Puente del Inca, hoje ruínas de um hotel de águas termais que no passado foi muito procurado para tratamento de doenças reumáticas, e a Laguna Horcones, o mirante do Aconcágua. O passeio termina em uma vila no sopé do monumento Cristo Redentor com um suculento almoço, pago à parte. Quem optar pelo trekking não precisa contratar esse tour, pois os pontos de visitação já estão na rota.

A temporada no Aconcágua vai de 15 de novembro a 31 de março. A melhor época para o esporte é na alta temporada de 15 de dezembro a 31 de janeiro, quando as chances de encontrar bom tempo aumentam.

Tempo da viagem é opcional

As agências especializadas de Mendonza oferecem dois pacotes de trekking: um de três dias e outro de sete. O ápice do trekking curto é a Plaza Francia, com 4.200 metros. No longo, atinge-se a altitude de 4.300 m em Plaza de Mulas – acampamento-base para os andinistas que tentarão o cume. A excursão ao topo do Aconcágua dura de 11 a 20 dias. Para tal, é necessário, além de preparo físico, experiência em alta montanha. Não convém subestimar a empreitada. Já o trekking de três dias pode ser feito por iniciantes.

O serviço de guia é opcional. A vantagem de contratar as agências é não se preocupar com o preparo da comida, nem com a montagem do acampamento. Para quem for dispensar esses serviços, a alternativa é contratar mulas para carregar os equipamentos e suprimentos. Os animais conseguem ir até Plaza de Mulas – último acampamento do trekking.

O permiso para o trekking é retirado junto à administração do Parque, no centro de Mendoza. Os preços variam de acordo com os dias de permanência no parque: três, sete e 20 dias. Os equipamentos para alta montanha também podem ser alugados no centro em lojas especializadas – roupas primeira e segunda peles, anorak, bastões de caminhada, saco de dormir etc.

Adaptação em Los Penitentes

Como Mendoza encontra-se a 760 metros acima do nível do mar, o ideal para uma boa aclimatação é passar, pelo menos, uma noite em Los Penitentes, a 2.580 m de altitude, que funciona como centro de esqui no inverno. Uma boa aclimatação requer corpo bem hidratado.

Os primeiros sintomas do mal da montanha aparecem de quatro a oito horas depois de se chegar a altitudes superiores a 3.500 metros. Dor de cabeça constante, insônia, perda de apetite, náuseas, dificuldade respiratória, tosse seca, vertigens e inchação são comuns. Quando os sintomas aparecem, o recomendável é descer a uma altitude inferior e voltar a subir lentamente para facilitar a aclimatação. Se persistirem, abandone a excursão.

O trecho do primeiro dia é comum a todas as excursões. A caminhada começa em Laguna Horcones e termina em Confluencia, a 3.350 metros, onde se acampa na primeira noite. O corpo sobe naturalmente devagar para não fatigar de pronto. Alguns já dão sintomas que não vão agüentar a estirada mas o guia experiente incentiva-os a continuar.

As operadoras já possuem acampamento fixo em Confluencia. O dormitório é coletivo. O frio associado ao cansaço físico despertam a fome logo ao cair da tarde. A comida é simples e suficiente. Uma sopa de entrada, um prato quente e sobremesa revigoram o corpo.

A perigosa Parede Sul

No segundo dia, o destino é a Plaza Francia, a 4.200 metros, que serve de acampamento base para os andinistas que tentarão o cume pela face sul do Aconcágua, a mais difícil e perigosa, que tornou-se conhecida após a morte de Mozart Catão, Alexandre Oliveira e Othon Leonardos, pegos por uma avalanche na noite de 3 de fevereiro de 1998.

Até Plaza Francia são cinco horas de caminhada pesada e 900 m de desnível a serem vencidos num dia. A trilha recorta as encostas das montanhas andinas. O terreno é árido, espaçado com trechos verdes de vegetação baixa. A última hora da caminhada é em um platô margeado por um extenso glaciar que começa no sopé do Aconcágua.

O visual da parede sul é plácido. Nem parece um celeiro de avalanches. Mas o guia logo aponta os paredões de neve que os alpinistas têm de ultrapassar. Curte-se aquela paisagem por alguns minutos. Logo é hora de voltar para Confluencia. A temperatura cai rápido quando o sol se põe entre as montanhas.

No dia seguinte, o grupo do trekking de três dias retorna para a entrada do parque. Os participantes do trekking longo tiram um dia de preguiça, permanecem em Confluencia descansando o corpo.

– A caminhada é puxada. Caminhamos oito horas numa planície desértica – adverte a montanhista Yuki Matsumoto, 36 anos, japonesa radicada no Brasil, sobre a trilha de Confluencia a Plaza de Mulas. – O pior trecho está no final. Nas últimas duas horas, há uma subida em ziguezague bem íngreme. Vi várias mulas mortas caídas.

A Plaza de Mulas, a 4.300 metros, é o último destino do trekking e o principal ponto de apoio para quem fará o cume.

– Estava radiante antes, durante e depois do trekking. Fazer o Aconcágua é o sonho de qualquer montanhista – enaltece Yuki. – Mesmo não fazendo o cume, deu para sentir um pouco da emoção de estar na alta montanha. Vale a pena passar uns dias em Plaza de Mulas para interagir com os andinistas e talvez até fazer um trecho da subida para o cume.

Depois de tanto esforço, a pedida é relaxar e comemorar a vitória nas vinícolas de Mendoza, a terra dos vinhos argentinos. As agências locais oferecem roteiros de degustação a bodegas famosas. A dica é contratar um passeio com almoço incluído. Normalmente, é servido um verdadeiro banquete acompanhado de saborosos vinhos argentinos.

*Michelle Glória é montanhista do Centro Excursionista Brasileiro.

Quem leva
Campo Base Travel & Adventure.
E-mail: info@hostelcampo base.com.ar
Tel.: 54 (261) 425-5511

Na internet
http://www.mt-aconcagua.com
http://www.aconcagua.men doza.gov.ar
http://www.aconcagua.com.ar

Salar de Uyuni, Deserto do Sal

Publicação no Jornal do Brasil online.

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Salar de Uyuni, Deserto do Sal

Imensidão branca

Bolívia: Uma aventura para chegar a Uyuni, o maior deserto de sal do planeta

Michelle Glória

Matéria publicada no Jornal do Brasil de 09 de agosto de 2006.

UYUNI – BOLÍVIA. O Salar de Uyuni ou o Deserto do Sal, na Bolívia, é como sonhar de olhos abertos. O olhar se espanta diante de tamanha excentricidade. Paisagem inusitada para a memória visual brasileira, não se assemelha a nenhuma maravilha natural do nosso país. Face a face ao desconhecido, o olhar se surpreende. A pintura onírica extasia o coração.

Duas são as portas de entrada para o mundo surreal: La Paz ou Santa Cruz de la Sierra. Por La Paz, é possível dar uma paradinha em Oruro para conhecer outro deserto: o Salar de Coipasa, o segundo maior deserto de sal da América do Sul e terra dos índios chipayas, ameaçados de extinção. A segunda rota é Santa Cruz de la Sierra-Sucre-Potosí-Uyuni. O trecho de Santa Cruz a Sucre compensa fazer de avião. Os preços do vôo local são módicos e a viagem por terra é longa e desconfortável.

Sucre é famosa pela alvura de sua arquitetura. Igrejas e casarões brancos compõem o cenário urbano da capital oficial da Bolívia – a sede do governo, de fato, está em La Paz. Declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1991, a cidade vale uma visita de dois dias.

Para quem tiver pouco tempo, a opção é desembarcar em Sucre e pegar um táxi coletivo direto para Potosí. Os motoristas têm o hábito de pescar os clientes no saguão do aeroporto. A viagem de duas horas já rende um belo passeio. Só cuidado com o motorista. A estrada traceja o altiplano boliviano com curvas sinuosas e as ribanceiras estão logo abajo.

Potosí, incrustada nas encostas de uma depressão geográfica do altiplano boliviano, é uma cidade de altos e baixos. Tornou-se conhecida por conta das minas de prata do Cerro Rico – uma montanha majestosa e onipresente, incorporada ao cenário urbano – e por ter feito história – foi palco de manifestações populares, o que lhe rendeu a alcunha de Cidade das Dinamites, explosiva tanto nas minas como nas ruas.

Imergir nas minas do Cerro Rico é um convite à reflexão. Submersos nas cerca de cinco mil minas do Cerro Rico, adolescentes e adultos trabalham até doze horas por dia. A atividade mineradora é explorada por uma cooperativa. A idade mínima para o trabalho é de 12 anos. A idade máxima chega até cerca de 40 (quando as forças dos mineradores já estão no fim). Neste cenário, inevitável o questionamento: eles tornam-se mineradores por opção ou por falta de opção?

Vale a pena perambular pelo Centro Histórico de Potosí. É um mergulho no tempo. Uma história a céu aberto. História oral, contada pelo povo. O monumento mais famoso é a Casa de La Moneda. A construção era uma fundição de prata na época colonial. Hoje é um museu. Pinturas do barroco andino, moedas e artefatos da América espanhola fazem parte da exposição permanente. As visitas são guiadas e duram cerca de duas horas.

Museu e lembranças: tudo de sal

Hotel de Sal.

O Salar de Uyuni é o maior deserto de sal do planeta, com 12 mil km². A evaporação das águas durante milhares de anos deixou cravada no solo uma espessa camada de sal, que descortina um infinito tapete branco. No período de estiagem, que vai de maio a novembro, o solo seco forma lajotas hexagonais de sal que lembram uma colméia gigante. Na época das chuvas, de dezembro a janeiro, o salar inundado é um espelho a céu aberto, que reflete as nuvens do céu. Fica difícil definir o que é terra, o que é ar.

A época propícia para fazer a travessia é fora do verão. O passeio ao salar é feito em jipes 4×4, mas as chuvas fortes da estação podem cancelar o passeio. As operadoras locais oferecem programas de um dia, bate-e-volta, e três dias, para quem se aventura na travessia do deserto em direção a São Pedro de Atacama, no Chile.

A travessia começa pela manhã bem cedo. A primeira parada é no Museu do Sal. Esculturas de llamas e outras peças de sal compõe o acervo. Na entrada do museu, senhoras bolivianas vendem suvenires de sal e cactus. Ao levar para a casa, não se esqueça que não se pode lavar o artefato. O suvenir de sal se desfaz na água.

O motorista liga o motor. Trafega algumas horas em linha reta no meio do nada, apenas a alva superfície de sal e o horizonte sem fim. A próxima parada é o Hotel de Sal. Toda a mobília (camas, mesas, sofás) é feita do cristalino branco.

Um dos pontos altos do passeio vem em seguida: a Isla del Pescado, um monte de pedras solitário no tapete branco, repleto de cactos gigantes com até 12 metros de altura. Vale queimar alguns rolos de filme ou deixar alguns cards cheios Depois do tour pelos cactus gigantes, no sopé da ilha, um saboroso almoço preparado pelo motorista aguarda o viajante. Terminada a refeição, é hora de partir para o fim do dia e pernoitar em uma hospedagem rústica ao lado do salar. 

Belezas a 4 mil metros de altitude

Bolívia: Os lagos vulcânicos de Potosí valem um mergulho em suas águas mornas. Já Uyuni parece um cenário retirado de western ianque, mas com legítimos personagens latino-americanos

A elevada altitude de Potosí, acima dos 4 mil metros, pode causar náuseas e dores de cabeça, primeiros sintomas do soroche. Para evitá-lo, é bom beber muita água. Se o mal-estar persistir, uma opção é recorrer aos costumes locais: mascar folha de coca e tomar chá de coca. E para desmistificar: nenhum dos dois produz efeitos alucinógenos.

Gratifica muito também dar uma rodopiada nos arredores de Potosí. A 22 km do perímetro urbano, está a Laguna Tarapaya, um lago formado por águas sulfurosas verde-musgo do vulcão adormecido. O lago é a boca de um vulcão extinto. Indescritível dar umas braçadas naquelas águas mornas e densas. É como se conectar com o centro da Terra. Segundo o vigilante da laguna, a cratera é sem fim. O passeio leva uma manhã.

O trajeto de Potosí a Uyuni é um poço de surpresas com direito a uma certa dose de adrenalina. A estrada de terra serpenteia as colinas íngremes do altiplano boliviano – um planalto de 800 km de comprimento por 129 km de largura, com altitude acima dos 3.500 m, que se estende do Lago Titicaca (norte da Bolívia, fronteira com o Peru) até Uyuni (sul da Bolívia, fronteira com Chile e Argentina). Os motores e freios dos ônibus, normalmente em condições precárias, muitas vezes deixam de funcionar. Aí, só com espírito corajoso e aventureiro a la Indiana Jones.

Sentei ao lado do motorista. O motor ameaçou parar algumas vezes. O auxiliar levantava o capô e dava, literalmente, corda no motor. A fumaça vinha toda no meu rosto. Viajar na Bolívia é assim mesmo. Para quem gosta de adrenalina, um prato cheio. A viagem dura cerca de sete horas. Os ônibus saem pela manhã de Potosí e chegam ao cair da tarde em Uyuni.

Perdida na imensidão do deserto, Uyuni parece isolada do resto do país. O aeroporto mais perto ficou para trás em Sucre, a 9 horas de viagem. A próxima saída por avião só em Calama, no Chile, distante 2 mil km.

Uyuni lembra uma cidadezinha do faroeste americano. Em vez de apaches e cowboys, quechuas e aimaras – campesinos típicos do altiplano boliviano – perambulam por suas ruas. Quinquilharias e iguarias são vendidas no meio da via principal. Uma boa pedida é experimentar a salteña – salgado bem temperado de carne ou frango, com legumes picados – acompanhada da Paceña, a cerveja boliviana.

No fim da rua principal está o cemitério de trens. Vale a pena uma visita, principalmente para quem gosta de fotografar. A próxima parada é o Salar de Uyuni. Antes de partir para o deserto, é bom levar medicamentos e quinquilharias de uso pessoal. A travessia é longa e erma.

Vale a pena perambular pelo Centro Histórico de Potosí. É um mergulho no tempo. Uma história a céu aberto. História oral, contada pelo povo. O monumento mais famoso é a Casa de La Moneda. A construção era uma fundição de prata na época colonial. Hoje é um museu. Pinturas do barroco andino, moedas e artefatos da América espanhola fazem parte da exposição permanente. As visitas são guiadas e duram cerca de duas horas. 

Flamingos e gêiseres no caminho

Árbol de Piedra.

No segundo dia, é hora de atravessar o Desierto de Siloli, formado por esculturas rochosas de lavas de vulcão insculpidas pelo vento. O mais conhecido monumento natural é o Árbol de Piedra. Ao cair da tarde, chega-se à plácida Laguna Colorada, um santuário dos flamingos. É permitido caminhar às suas margens e apreciar as aves bem de perto.

No terceiro dia, a ordem é acordar bem cedo, por volta das quatro da madrugada, para apreciar os gêiseres em ação, lançando gases sulforosos em alta temperatura. É bom estar bem agasalhado, porque o frio de zero grau é cortante. A visão distante, ainda no crepúsculo, do Geiser Sol de Manana entristece, lembra a bomba de Hiroshima, mas impressiona. É possível caminhar perto dos gêiseres, com cuidado para não se queimar com os esguichos de enxofre.

A poucos minutos dali, é hora de tomar o café da manhã à beira de piscinas naturais de águas termais. Servido o café, o motorista parte para o próximo destino: as Rocas de Dalí.

A paisagem desértica das Rocas assemelha-se à mais famosa obra de Salvador Dalí: A persistência da memória. “No lo sé. No lo creo….”, responde o motorista ao ser indagado se Dalí estivera na região pintando aquele cenário. “Creo que es porque si parece con una pintura de él”, completa. Dalí, de fato, não esteve ali. Mas uma coisa é certa: esteve no mundo dos sonhos, no inconsciente.

Ainda na Bolívia, a última parada é na Laguna Verde, aos pés do vulcão Licancabur, que, dependendo dos raios do sol, se reflete em suas águas verde-esmeralda, formando uma graciosa fotografia. Alguns minutos de deleite e o motorista dá a partida. É hora de seguir viagem rumo a São Pedro do Atacama. O altiplano boliviano está entre os dez lugares mais bonitos do mundo, segundo mochileiros de carteirinha. E a paisagem é, de fato, arrebatadora.

Dicas:

– Leve roupas leves e pesadas. No altiplano boliviano, com a altitude acima dos 4 mil metros, faz muito frio. Os ponteiros registram zero grau e, às vezes, até negativo.

– Para a mochila não pesar tanto, deixe de lado a estética e seja prático. Leve só o que for útil. Camisas de tecido tipo dry-fit, que seca rápido. De preferência, de mangas compridas, para proteger dos raios solares.

– Leve calças de tecido fino e leve (suplex, tactel). Além de confortáveis, secam rápido. Opte pelas “dois em um”, as que têm zíper na altura dos joelhos e viram bermudas.

– Leve também roupas impermeáveis (capas de chuva, anorak etc).

– Bonés, óculos de sol, protetor solar são indispensáveis.

– Fundamental levar um saco de dormir zero grau para as noites nos refúgios rústicos do deserto.

– Tente colocar tudo em uma única mochila-carga para não ficar cheio de penduricalhos no pescoço. Um mochila pequena só para perambular pelas ruas de Potosí com máquina fotográfica e otras cositas más.

– Para os alérgicos. Quem sofre de rinite, é bom levar seus medicamentos. A mucosa se irrita com tanta poeira.

Monte Roraima

Misticismo na fronteira

Em Monte Roraima, na divisa com a Venezuela, lendas indígenas mesclam-se a cenários de sonho.

Michelle Glória

Matéria publicada no Jornal do Brasil de 07 de dezembro de 2005.

BOLÍVAR, VENEZUELA – A aventura de desbravar a Grande Savana venezuelana nos faz sentir como coadjuvantes em um filme de Indiana Jones. As peripécias do herói em lugares exóticos bem que poderiam acontecer no lugar. Somente em longas expedições a pé, de mountain bike ou automóvel 4×4 é possível explorar a região. Além dos desafios naturais, as histórias ouvidas por lá despertam a imaginação com lendas indígenas sobre ervas com poderes sobrenaturais, guerreiros invisíveis, façanhas de caçadores em busca de tesouros perdidos e outras tantas… O ápice da expedição é desvendar os mistérios do platô do Monte Roraima, com 2.875 metros – onde está o terreno mais antigo do planeta e habita Macunaíma, entidade sagrada dos índios pemones (venezuelanos) e macuxis (brasileiros).

A Grande Savana (ou Gran Sabana, como dizem por lá), situada no Parque Nacional Canaima, no Sul da Venezuela e fronteira com o Norte do Brasil (divisa com Roraima), é o embrião do mundo. As formações rochosas daquela região remontam à era pré-cambriana, possuindo até 3.600 milhões de anos.

Grande Savana.

Imensos blocos de pedra na forma de mesetas (pequenos planaltos), chamados de tepuyes pelos pemones, emolduram o cenário da Grande Savana. As formações resultaram do acúmulo de sedimentos vindos das terras altas do supercontinente Gondwana, há 1.800 milhões de anos – quando América e África ainda estavam unidas, muito antes da fratura que originou o oceano Atlântico, separando os continentes. Pertencem à área geológica do Maciço das Guianas, que se estende além dos limites da Venezuela, ocupando parte da Guiana, Suriname, Colômbia e Brasil.

A bucólica vegetação rasteira da savana serpenteada por vales de moriches (buritis) mescla-se com a imponência dos enigmáticos tepuyes. São mais de vinte na região, sendo o Matawi-kukenán e o Monte Roraima os mais famosos. A subida ao tepuy Kukenán é muito íngreme e perigosa. No seu platô, além de a orientação ser difícil, há muitas fendas encobertas pela vegetação que tornam a caminhada arriscada. Um turista já desapareceu no topo sem deixar rastros. Por isso, a subida ao Kukenán é restrita.

– Kukenán é uma montanha sagrada. Nela vivem os espíritos de guerreiros pemones que não devem ser molestados – conta Benetton, guia indígena que acompanha os turistas na expedição ao Roraima. Para ele, o despertar dos guerreiros é a causa do desaparecimento misterioso do turista.

Benetton ouvia do seu avô histórias sobre lutas seculares pela posse da terra, travadas entre os índios macuxis e pemones (de etnia arekuna, kamaracoto e taurepang). Quando um guerreiro pemon era derrotado, jogava-se do alto do tepuy Matawi-kukenán. Na língua indígena, ”matawi” significa ”quero morrer” ou ”lugar de suicídio”.

– Os guerreiros arekunas ingeriam uma erva que lhes concedia poderes sobrenaturais. Passavam a ter agilidade e coragem sobre-humanas. Locomoviam-se dezenas de metros numa fração de segundos. Combatiam e matavam os inimigos sem temor – fala baixinho, quase pedindo licença, Benetton.

Os espíritos desses guerreiros são chamados pelos pemones de canaimas – entidades temidas até hoje. Quando alguma morte inexplicável acontece, os índios atribuem-na aos desígnios do canaima. Daí vem o respeito mítico de Benetton pelo Kukenán. O misticismo está entranhado nos pemones.

Jornada rumo ao topo

O roteiro tradicional dos montanhistas que exploram a região é a subida ao Monte Roraima. A porta de entrada ao mundo das pedras monumentais é a cidade de Santa Elena de Uairen, na Venezuela. Para chegar até lá, a melhor opção é voar até Boa Vista e percorrer cerca de 220 quiolômetros pela BR-174 até a divisa. Pelo lado brasileiro, não há como chegar ao topo do Roraima caminhando, só escalando; porém, o acesso não está aberto à visitação pública.

Vale a pena dar um pequeno giro pelo centro da interiorana Santa Elena. O passeio desnuda um pouco a história e a cultura locais. A cada esquina, os olhos se deparam com letreiros: “Compro oro y diamantes”– a savana já foi palco da mineração clandestina. Hoje, a garimpagem legalizada está nas cercanias do Parque Canaima.

Uma boa pedida para quem gosta de apreciar os costumes locais é tomar o café da manhã em frente à feira perto do Centro. Peixes, frutas e quinquilharias são vendidos pelos índios sobre o chão das calçadas. A profusão de cachos de bananas verdes impressiona. Elas são servidas fritas e saboreadas salgadas – os chamados plátanos, que acompanham as principais refeições. Vale a pena experimentar. Também não deixe de provar a arepa, um pãozinho redondo feito de milho. Servida quentinha, a iguaria derrete na boca.

Pelas ruas da cidade, carros caindo aos pedaços dividem o espaço com modernos 4×4, repletos de bagagem até o teto. Os venezuelanos dos centros urbanos adoram botar o pé na estrada, explorando as belezas naturais do caminho. Exibem com orgulho no vidro traseiro dos automóveis os seus intinerários: “De Caracas para Gran Sabana” (mais de mil quilômetros!). O estilo on the road não perde o conforto. Os 4×4 são superequipados. Na Grande Savana, é corriqueiro deparar-se com barracas armadas sobre os tetos dos carros. Possuem até escadinha para descer. Um luxo!

Viajar para o mundo pré-histórico e mítico do Monte Roraima é possível até para nós, seres comuns. Não é preciso ser tão intrépido e forte quanto Indiana Jones. Um pouco de vigor nas canelas e determinação bastam.

As expedições ao Roraima duram de sete a nove dias. Tudo dependerá da disposição de permanecer no topo. Dois ou quatro dias no platô são suficientes para conhecer todos os monumentos naturais e mergulhar um pouquinho num tempo muito remoto.

O início da trilha é na comunidade indígena de Paraitepui, a 70 km de Santa Elena de Uairén, em asfalto. Até a comunidade são mais 22 km de terra. Transitáveis só a pé, moutain bike ou (para quem deseja poupar as energias) num bem-vindo carro 4×4!

Após alguns minutos caminhando, uma subida íngreme assusta. O pensamento “não vamos conseguir” invade a mente. Passa rápido. Logo o desnível acentuado cede espaço a uma caminhada suave e plácida até o acampamento Ték. No primeiro dia, caminha-se só umas quatro horas. Apenas para despertar os músculos preguiçosos.

O cenário do acampamento Ték é esplendoroso: de um lado, o tepuy Kukenán, do outro, o intrigante Monte Roraima. Ainda para deleite do corpo, ali pertinho passa o refrescante rio Ték. Uma delícia tomar banho na hidromassagem natural que se forma numa pequenina queda d’água.

No segundo dia, o desnível é acentuado – de 1.100 m (acampamento Ték), chega-se a 1.870 m (acampamento base, no sopé do Roraima). O Kukenán e o Roraima são companheiros inseparáveis de toda a caminhada. Seguem sempre à vista. O início da trilha rasga pequenos morros de capim rasteiro, num leve sobe e desce. Uma surpresa: no alto de uma colina, uma pequena capela de pedra (em construção) compõe o cenário. Na savana, o sincretismo religioso é incipiente.

– Em razão da influência da igreja evangélica, na minha tribo arekuna, muitos não falam mais nosso idioma, por vergonha. Só espanhol. Os antigos também não contam mais para os jovens as histórias dos nossos ancestrais. Isso me preocupa. Tenho medo da nossa cultura se apagar da memória do nosso povo – lamenta Benetton, que nutre um sonho de escrever um livro sobre as histórias e lendas da sua tribo. Antes que se percam…

Logo após a capela, chega-se à primeira aventura da expedição: atravessar o rio Kukenán. Às vezes, quando há tromba d’água, o rio torna-se caudaloso. Nesses momentos, a opção é esperar o volume da água diminuir ou atravessar a remo. Isso, se o dono da canoa estiver por perto.

O Kukenán nasce no platô do tepuy homônimo. As chuvas torrenciais que caem no topo do tepuy avolumam o Salto Kukenán, provocando a elevação do nível do rio. Esse fenômeno é fruto da grande massa de ar úmido (vinda do Atlântico) e da alta radiação solar das paredes do tepuy, que formam densas nuvens orográficas.

Do rio, tem-se o visual belíssimo de La Ventana. Sombra e água fresca… E com direito a cerveja! Num casebre do lado do rio, o pai do Mário (um dos carregadores) vende a bebida para a alegria dos montanhistas perdidos no mato.

Passados os momentos idílicos no Kukenán, é hora de seguir: o majestoso Roraima chama. A subida é lenta e gradual. Adelante de los ojos? A paisagem de La Rampa e de um carro Maverick, que marca o ponto culminante do Monte Roraima. Chega-se ao acampamento-base ao cair da tarde. O pôr-do sol é um espetáculo à parte! Os tênues raios formam, nas paredes do Roraima, um lindo mosaico de pedras de múltiplos tons áureos. Um arco-íris complementa a obra de arte da natureza.

O terceiro dia é o gran finale. Uma subida íngreme (um desnível de mais de 800 m), conhecida como La Rampa, separa os aventureiros do almejado Roraima. A cada passo, as saliências do paredão se recrudescem, reafirmando a imponência do tepuy. A respiração ofegante diminui o ritmo da subida. Até encostar no paredão, a trilha percorre uma mata semi-aberta repleta de pequenas quedas d’água que brotam de fendas na rocha. Chegar ao paredão é uma festa! Todos querem tocá-lo.

O ponto crucial da rampa é a passagem por baixo da cachoeira Paso de Las Lagrimas. A pintura da queda d’água sobre o paredão é belíssima! Dá um friozinho na barriga caminhar embaixo dela. As águas escorrem pela trilha, formando córregos volumosos.

Alguns minutos mais e atingimos o portal do enigmático Roraima. As formas das rochas, a neblina, a chuva miúda dão uma sensação de ingresso num mundo desconhecido e distante. Os visitantes permanecem atônitos por alguns momentos… Logo, a alegria invade o peito e máquinas fotográficas registram o momento único. Os mais patriotas fazem fotos com a bandeira do Brasil.

As formações rochosas do platô causam impressões surrealistas. Figuras de animais, objetos, rostos são tracejados na nossa retina. A fauna e a flora do Roraima também são peculiares. Muitas espécies endêmicas habitam o tepuy. Algumas, com parentes na África (fato que corrobora a teoria do supercontinente Gondwana). Tem a minúscula rã de aspecto primitivo, a Oreophrynella, de cor negra para se camuflar entre as pedras; a bromélia de folhas verdes brilhantes e flor amarela, a Stegolepis guianensis; e a pequenina planta carnívora de cor vermelha, a Drosera roraimae, devoradora voraz dos insetinhos indefesos presos aos seus tentáculos.

Platô.

No platô, acampa-se em grutas formadas sob pedras superpostas – abrigos que são chamados de hotéis porque de fato protegem das intempéries roraimenses. Há oito deles ali.

Uma vez no alto do Roraima, a hora é de entregar-se à contemplação da natureza. Perambular pelas redondezas do Hotel Guácharo, ir até a caverna homônima e ao vale dos cânions, curtir a bela vista da savana e o descortinar da paisagem exótica do platô. Um verdadeiro mar de pedras – a ondulação das rochas lembra o balançar das ondas do mar. O mirante La Ventana, o vale de Los Cristales, Punto Triple (marco delimitador das fronteiras do Brasil, Venezuela e Guiana) e o lago Gladys – as riquezas do lugar são infinitas. Depois, a alma de quem desce o platô vai leve.

A conquista da Montanha de Cristal

O inglês Sir Walter Raleigh foi um dos primeiros a desbravar a região do Monte Roraima, em busca de tesouros perdidos, no final do século 16. As descobertas da expedição o levaram a escrever Montanha de Cristal. O livro, publicado em 1596, estimulou muitos exploradores europeus a se aventurar em longas expedições no século 19, atrás da Montanha de Cristal.

Robert Schomburgk, um dos primeiros a chegar ao sopé do Monte Roraima, em 1838, realizou uma importante coleção botânica, levantando a hipótese da existência de dinossauros e plantas pré-históricas no platô. Suspeita que atraiu a atenção da comunidade científica. 

Várias foram as tentativas frustradas de subir o Roraima. Ele chegou até a ser considerado inacessível. Entre os anos de 1879 e 1884, o ornitólogo inglês Henry Whitely, numa de suas diversas viagens, visualizou um caminho possível: La Rampa. Em dezembro de 1884, os ingleses Everard Im Thurn e Henry Perkins, seguindo a rota de Whitely, na companhia dos índios pemones, conseguiram ascender ao topo do Monte Roraima.

Todos os ângulos da savana

A aventura não pára no Monte Roraima. Para quem ainda tiver mais alguns dias, vale a pena rodar pela Grande Savana. Diversificados roteiros são oferecidos pelas agências locais: excursões off road, passeios a cachoeiras e a balneários de água doce, aluguel de bicicleta, rafting, sobrevôos em avionetas e helicópteros e muitos outros.

A cerca de 200 quilômetros de Santa Elena de Uairén, encontra-se o Salto Aponwao. Chegar até lá é uma mini-aventura. Ideal para quem gosta de só um pouquinho de adrenalina. Navega-se por uns vinte minutos numa canoa pelo rio homônino. Num piscar de olhos, as águas mansas transfiguram-se numa queda abrupta. É o Salto Aponwado, com 108 metros.

A canoa aporta a uns 500 metros da queda. Depois do ponto de parada, duas cordas de segurança atravessam o rio. O guia avisa: ”Se a canoa não parar, levantem os braços e se agarrem às cordas”. Dá um medo! Em seguida, 30 minutos de caminhada abajo e estupefação: o vigoroso Salto Aponwao adelante!

Para quem ainda tiver algumas verdinhas na carteira, por cerca de US$ 150 é possível sobrevoar o Salto Angel com 979 m – a maior queda do mundo. As imagens de lá revelam uma paisagem de tirar o fôlego.

Vôos fretados em avionetas levam pequenos grupos até o Auyan Tepuy, onde nasce o salto. Para garantir, é recomendável agendar o passeio antes da expedição ao Monte Roraima – que, por sinal, também pode ser sobrevoado de helicóptero. Outra boa opção para os menos propensos a longas aventuras isoladas da civilização.

Para brincar de Indiana Jones

Como ir

A Varig opera o único vôo diário que chega a Boa Vista na sessão coruja, após as 0h. http://www.varig.com.br

Pacotes

Ruta Salvaje – operadora local. Oferece expedições a partir de US$ 200. http://www.rutasalvaje.com

Bennettón Gomez – o guia indígena. canaparktourguide@yahoo.com Freeway Adventures – oferece expedições de nove dias a R$ 2.510 (parte terrestre). http://www.freeway.tur.br

Quando ir

Recomenda-se evitar o período chuvoso de maio a julho. Janeiro é o mês mais seco.

Na internet

http://www.lagransabana.com

Preparativos

Vacina de febre-amarela, no mínimo, dez dias antes da viagem. Também é recomendável tomar a vacina de hepatite A.

O que levar

Mochila de 30 a 50 litros (para os pertences pessoais) ou mochila-carga acima de 50 l (se preferir dispensar os serviços dos carregadores). Repelentes para afastar os puri-puris (mosquitinhos venezuelanos impertinentes). Filtro solar, boné e óculos de sol.

Camisas de tecidos finos e leves (dry fit) que sequem rápido. De preferência, com mangas compridas – protegem de raios solares e puri-puris. Calças de tecidos finos e leves (supplex, tactel etc). De preferência, as calças 2 em 1 (com zíper nas pernas), que viram bermudas. Casaco impermeável e corta-vento. Meias fofias. Bota de caminhada com solado aderente. Fita silvertape. A bota, às vezes, não agüenta o rojão e se desfaz. Aí, só a fita para salvar o solado e, principalmente, a sola do pé. Capa de chuva. Canivete, cantil e apito (no caso de se perder do guia). Lanternas e pilhas. Saco de dormir. E, para os corações verde-amarelos, a bandeira do Brasil.

Lençóis Maranhenses

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Aventura no litoral: Lençóis Maranhenses

Um charmoso roteiro de jipe entre o Ceará e o Maranhão passa por algumas das mais belas e desertas praias do Brasil

Michelle Glória

Matéria publicada no Jornal do Brasil de 11/set/ 2005

Quem não gosta de se banhar em águas cristalinas e frescas como as que escorrem das cachoeiras? Programa revigorante e refrescante. Em um dia daqueles, ensolarado, com céu azul de brigadeiro, então… torna-se diversão ainda mais saborosa. Imagine todos esse deleite tendo como cenário uma praia deserta, com esparsos coqueiros. Mergulhar nas lagoas dos Lençóis Maranhenses é exatamente assim: um banho fabuloso em águas doces, envolto por areias alvas e reluzentes, sob calorosos raios solares, na imensidão desse tão particular deserto brasileiro – pontilhado de incontáveis oásis. Desfruta-se a sensação de estar em uma praia isolada, com o frescor das águas das montanhas. Beira o inacreditável!

Não é à toa que o lugar tornou-se rapidamente um dos destinos turísticos do país que mais seduzem viajantes, do Brasil e do exterior. Tanta procura, se ainda não chegou a equipar a infra-estrutura turística com hotéis de luxo ou restaurantes estrelados, como grande parte de recantos nordestinos de caráter similar, diversificou as possibilidades de meios de se chegar nessa porção de paraíso. Uma das mais interessantes maneiras de alcançar os Lençóis Maranhenses é através do roteiro que parte de Fortaleza (ou vice-versa) em jipes 4 x 4. Margeando o oceano, rasgando as areias sem-fim, o bravo veículo transforma a viagem em uma inesquecível aventura, que dura entre quatro e sete dias. Outra possibilidade é chegar voando, em um dos aviões que fazem a rota São-Luís Barreirinhas. Um vôo inesquecível.

Tempo de curtir o fim da temporada de cheia

Resta apenas pouco mais de um mês para se curtir essa maravilha natural ainda este ano. Isso porque passado o período das chuvas, de dezembro a julho, as lagoas começam a secar, até sumirem do mapa para reaparecerem a partir do início do ano. Até o final de outubro vale a pena visitar a região. As vantagens de se conhecer os Lençóis agora, na calmaria da baixa temporada, são os preços convidativos e os lugares mais vazios – ideal para quem gosta de economia e sossego, de preferência bem acompanhado para aproveitar as noites estreladas. E, é claro, o nível das águas ainda permitem belas braçadas naquela paisagem que transforma o Maranhão em um dos mais cobiçados destinos brasileiros. De qualquer forma, há as lagoas perenes: a Azul, a Bonita e a do Peixe, propícias à visitação em qualquer época do ano.

O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, criado em 1981, possui 1.550 quilômetros quadrados (do tamanho da cidade de São Paulo), formado por dunas e lagoas (temporárias e constantes). As montanhas de areia estendem-se por até 90 quilômetros do litoral maranhense e 50 quilômetros continente adentro. Como todo deserto, os Lençóis Maranhenses, o nosso intrigante deserto brasileiro, também possui seus oásis. Um dos mais famosos localiza-se em Queimado dos Britos – um pequeno povoado rústico no coração dos Lençóis, onde dorme-se em rede, nos casebres dos moradores, sob o sopro da brisa noturna, o brilho das estrelas e, em noite de lua cheia, sob luminosos raios lunares.

A porta de entrada aos Lençóis Maranhenses é Barreirinhas – cidadezinha interiorana, com 40 mil habitantes, a 272 quilômetros de São Luís. Possui a melhor estrutura turística local: pousadas, restaurantes, lojas de suvenir, agências de turismo. Os passeios mais badalados saem de lá.

A visitação às famosas lagoas Azul, Bonita e do Peixe é feito em um dia em carro 4 x 4 – Toyota e Land Rover são as marcas que dominam as areias – transformados em jardineiras para o conforto do turista. Aliás, a melhor maneira de se chegar à região é a bordo de bravos jipes (leia nas páginas 4 e 5 todo o roteiro), que partem do Ceará e chegam aos Lençóis rasgando as areias à beira-mar – cortando paisagens de sonho, alguns dos mais belos visuais do Brasil.

De Barreirinhas até a entrada do parque são 40 minutos de trilha. Os obstáculos do percurso são muitos: córregos a serem atravessados, imensos lamaçais (que muitas vezes atolam mesmo a jardineira, por isso os passeios acontecem em dois carros), e a mata um pouco fechada (cuidado com os galhos salientes que entram pelas laterais!). O melhor do trajeto são os cajueiros. Uma delícia é tirar uma fruta suculenta, madurinha, do pé e comer na hora!

Sete dias emocionantes entre dunas e praias

Partimos para a aventura de Fortaleza, uma das alternativas de ponto de partida ou chegada para a viagem de jipe entre o Maranhão e o Ceará. Diversas operadoras de turismo já oferecem o roteiro. Inclusive, na Praia de Iracema, na capital cearense, há vários veículos estacionados com fotos da viagem instigando os visitantes a participar da aventura. Pela manhã, o nosso condutor, Paulo (um paulistano recém-chegado nas redondezas, empolgado com a nova opção de trabalho ao ar livre), já batia à porta do hotel para começarmos a aventura 4 x 4. Estávamos, eu e uma amiga que me acompanharia, entusiasmadas e curiosas para saber o que nos aguardava. Dali a sete dias estaríamos nos sonhados Lençóis Maranhenses. Até lá, muitas praias, muita areia e muitas histórias para contar.

Primeiro dia

Seguimos pelo asfalto até as famosas dunas de Cumbuco, a 28 quilômetros de Fortaleza. A partir daí, entramos na areia. Já estávamos ansiosas. O condutor diminuiu a pressão dos pneus para facilitar a condução na areia fofa, fez umas piruetas, mostrando destreza na direção, e lá fomos nós em direção ao nosso destino! Pegamos a praia. A suave brisa a acariciar as faces, as pequenas falésias, o visual deslumbrante do mar mergulharam o nosso espírito em paz. Que delícia de programa esse…

Parávamos ao nosso bel-prazer – aliás, este é um dos trunfos desta viagem: ter nas mãos o controle da programação, é só pedir para parar, para dormir ou comer, que o motorista prontamente nos atende. Muita luxúria para pessoas tão comuns: motorista habilitado a trafegar em condições ruins à disposição, praias belíssimas só para nós, o conforto de uma Land Rover… (Isso dentro do quanto pode ser confortável uma Land Rover, famosa por balançar tanto quanto pela capacidade de superar os mais adversos obstáculos). Inacreditável. Parecia um sonho. Ah! E tudo isso a um preço acessível – custa por volta de R$ 1.800 por pessoa, com tudo incluído, inclusive pousada, exceto parte aérea.

Almoçamos na Praia de Taíba, naturalmente um prato simples: peixe frito, arroz, batata frita e salada. Mas a comida bem caseira e o peixe fresquinho enriquecem o prazer à mesa. Preguiça foi seguir viagem, após se fartar de tanto comer e bebericar algumas doses de caipirinha. Deu uma moleza…

À vista do adiantado da hora, demos um esticada até a Barra de Mundaú para apreciá-la antes do pôr-do-sol. Foi o ponto alto do dia – um local de singular beleza misturado ao nosso estado de êxtase – parecíamos duas meninas eufóricas. Rolávamos nas dunas até as margens da praia. Nos sentíamos leves como o vento… Ainda mais sob o efeito de certas substâncias etílicas…

Saímos da areia ao cair da noite e voltamos para o asfalto. Foi uma puxada pesada até Jericoacoara – e também um pouco cansativo. Rodamos cerca de 200 quilômetros à noite. Chegamos em Jeri (como os íntimos chamam a vila) já tarde da noite. Para quem tiver mais tempo, vale a pena dividir esse trajeto em dois dias.

Segundo e terceiro dias

Curtimos Jeri dois dias. Fomos em todos os pontos turísticos badalados: Pedra Furada, Praia do Preá, Lagoa de Jijoca, Praia do Francês etc – tudo com o suporte do Land Rover, pois apenas bugres e veículos 4 x 4 são capazes de chegar à grande maioria dos principais pontos turísticos de Jericoacoara. Ao entardecer, escalamos a duna ao lado da vila para assistir ao concorrido e celebrado pôr-do-sol. Saracoteamos na balada mais efervescente: o bar do forró. Requebramos os quadris sob o céu estrelado até o sol raiar. Foram dias animados e que nos permitiram seguir viagem descansadas… Um outro ponto interessante desse programa, aliás, é justamente poder escolher os locais onde gastaremos mais tempo: nossa opção foi por Jericoacoara, mas poderia ter sido o Delta do Parnaíba ou os Lençóis Maranhenses. Aliás, a quem tiver tempo e dinheiro é recomendável ficar dois dias ao menois em cada um desses lugares.

Quarto dia

No amanhecer do quarto dia, partimos para a nossa próxima parada: o Delta do Parnaíba. Passamos pela formosa praia de Nova Tatajuba (a velha aldeia foi engolida pelas dunas). Atravessamos a Lagoa Grande até chegar em Camocim, onde deixaríamos o litoral e entraríamos para cortar o sertão. Antes disso, nosso condutor, o Josias (a agência revezava os motoristas para não cansá-los), resolveu nos presentear, levando-nos até a Barra dos Remédios, um lugar paradisíaco nos arredores de Camocim. O dourado reluzente das dunas, os rasos bancos de areias para se espraiar e o isolamento do lugar são inebriantes.

Saímos de Camocim em direção a Parnaíba. Esse é o pior trajeto da viagem. Percorrem-se 126 quilômetros de asfalto (a rodovia PI-210) em condições precárias, durante o dia e sob o sol forte do semi-árido. Condições precárias mesmo. Tão ruim o asfalto que dava saudades dos momentos off road da aventura. Se o ar condicionado não estiver funcionando, com o calor escaldante, a Land Rover vira um microondas. No fim da tarde, chegamos em Parnaíba.

Parnaíba é uma cidade pacata do interior, a segunda maior do Piauí, com 130 mil habitantes. Embora desenvolvida, o tempo ali passa devagar. As ruas arborizadas e a leve brisa que sopra do delta amenizam a temperatura de latitude próxima à linha do equador.

Quinto dia

Na manhã seguinte, visitamos a Baía das Canárias, o segundo braço do Delta do Rio Parnaíba. Ao todo são cinco – de leste a oeste: Igaraçu, Canárias, Caju, Melancieira e Tutóia. O passeio pode ser feito de barco (com cerca de 8 horas de duração) ou de lancha. Começa na beira do rio, atravessa mangues e igarapés, até chegar em uma ponta da Ilha dos Poldros – já na desembocadura do Rio Parnaíba no Oceano Atlântico. Essa parada foi especial. Como fomos de lancha, permanecemos algumas horas solitárias naquela vastidão de areias extensas e douradas pelos raios solares, desfrutando a natureza inóspita daquela ponta. O guia foi dar uma voltinha e quase se esqueceu de nos buscar. Nem percebemos a demora. Não estávamos com nenhuma vontade de ir embora daquele pequeno paraíso. O passeio termina nas dunas do Morro Branco para apreciar o belíssimo pôr-do-sol do delta.

Sexto dia

Amanhece o sexto dia. O nosso destino final está mais perto. A ansiedade no ar contrasta com a quietude que vem dos desejos saciados dos últimos dias. Partimos para Caburé, a penúltima parada. Em Paulino Neves, voltamos para a aventura off road pelas areias do litoral nordestino. Já estávamos com saudades do vento afagando nossos rostos. Passamos ao lado dos Pequenos Lençóis. Bonito, mas uma degustação comedida se comparada à fartura dos grandes Lençóis Maranhenses. O auge do dia foram as praias de larga faixa de areia, retas e infinitas do Maranhão. As águas são escuras, mas o ineditismo da paisagem compensa. Um visual diferente das demais praias nordestinas, que nos faz sentir a imensidão do Brasil, de tantas geografias distintas, tantas paisagens peculiares, tantas belezas.

Chegamos ao cair da tarde em Caburé, um pequeno vilarejo de pescadores com charmosas pousadas e chalés. As construções são em cima da areia da praia. O lugar é especial: de um lado, o águas doces do Rio Preguiças; do outro, águas salgadas do Oceano Atlântico – a menos de dez minutos de caminhada de um extremo ao outro. Caburé encontra-se num fina extensão de terra, que termina na Foz do Rio Preguiças. A noite ali é cinematográfica. Ficamos cerca de duas horas sentadas simplesmente a admirar a lua, o movimento das nuvens, suas nuanças prateadas. O tempo podia parar… Acho que parou, mas como não consultei o relógio, sou incapaz de afirmar tal experiência metafísica.

Sétimo dia

Sétimo dia! É hora de subir o Rio Preguiças até Barreirinhas para imergir nas águas doces e cristalinas dos Lençóis Maranhenses. Se aproxima o fim da viagem inesquecível. O cansaço do corpo rapidamente dá lugar à saudade que cresce à medida que São Luís se aproxima. Até a próxima aventura!

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